Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Palestra Itália do Alto da Glória

Palestra Itália do Alto da Glória

Por Marcelo Ricci

5h20. São José dos Campos – SP. Dia 11.07.2012. Inicia-se a viagem em busca de um único objetivo: apoiar o Palmeiras na final da Copa do Brasil no estádio do Couto Pereira. Minha primeira final. Meu primeiro jogo como visitante. Sem dormir na noite anterior, eu e meu parceiro de arquibancada, Gabriel Duque, partimos para a capital paulista. Tentávamos de alguma maneira aliviar a tensão. Ligamos o rádio para ouvir as notícias do trâns…: “Quando surge o Alviverde imponente…”. Puta que pariu!

Terminal Tietê. Bumba das 9h15, sentido Curitiba – PR. O vendedor da viação se questionava o porquê de um ônibus extra em plena quarta-feira e a lotação de todos eles. Respondemos: “É o Palestra, mano.” Na plataforma 8 alguns tímidos palmeirenses conversam entre si. Procurava em todos os lugares, algum sinal simbólico de que era hoje o dia: “Plataforma 8. Temos 8 estrelas no escudo. Caralho!”. Próximo do horário, mais palestrinos aparecem, cada vez menos tímidos, e um senhor de aproximadamente 70 anos me aborda e diz: “Grita por todos nós lá”. E eu respondi: “é a nossa função, meu senhor”. O sorriso na cara daqueles que embarcavam numa viagem 6 horas, revelava: “aquele é um dos nossos”. O busão era alviverde. Mantos, bandeiras e cerca de 20 torcedores compunham-no. Após as instruções do motorista, seguiu-se: “VAMOS PALESTRA!”

Outro senhor sentado na poltrona atrás de mim, com um sotaque assaz paranaense, me questiona se já conhecemos o estádio “Alto da Glória”. Ele se referia ao Estádio Major Antônio Couto Pereira. Muito educado, me pediu desculpas, dizendo que na sua época, 1964, o estádio tinha esse nome. Disse ainda que viu o futebol de seu time de coração se profissionalizar e ia à cancha na época em que “isso era programa de família”. Comentava com sua mulher que a peleja do dia (noite) ia ser muito difícil reverter, pois “os palestrinos já tem uma boa vantagem”. Mal sabia ele que a principal vantagem nossa não era o placar favorável do primeiro jogo da final na Arena Barueri, mas sim o peso que aquela camisa tinha. Digo, tem.

Como prometido pelo motorista, 15h00 estávamos em Curitiba. Fomos à cancha cedo, para evitar qualquer tipo de confronto, pois sabíamos que coxas e coxinhas estavam dispostos e a postos. Nas margens do estádio, muitos torcedores do Coritiba. Próximo à nossa entrada era tudo do Verdão: “Aquele verde ali é do Palmeiras. Tudo nosso. Pode vestir o manto aí”. Segundos após passarmos por vários policiais militares montados em seus desorientados cavalos, segue-se o cronograma: cassetete, tiro e bomba de efeito moral. “Vamos pra dentro antes que a merda fique ainda maior”.

Revista. Ingresso/cartão. Beijo no manto. Chuva. Friaca de 10º. Todos que iam chegando, sabiam: levávamos uma carga enorme nas costas: gritar e apoiar os 90 minutos do jogo e mostrar a forza do Palestra. “A Forza do Bigode”. Devíamos gritar contra os 30 mil coxas que fizeram um ridículo “Green Hell”. A única vantagem da tentativa da diretoria de fazer o Green Hell tecnológico foi ouvir AC/DC momentos antes do início do jogo. O Rock n Roll veio em boa hora.

Nosso arqueiro Bruno deve ter se empolgado mais ainda. E essa porra custou R$ 100 mil.

Foda-se os coxas e coxinhas. Até 1h antes da peleja começar, não conseguia acreditar que eu era participante daquele momento. O clima de final nos contagiava e isso já tinha 12 anos que não acontecia no âmbito nacional. E íamos para uma final histórica, passando por cima de tudo: Wesley machucado, El Pirata operado, Maikon Leite tornozelo torcido, Jorgito “Bigodón” Valdivia sequestrado, Daniel “Zé pança” assaltado, STJD e, o pior dos piores, a nossa diretoria, que não merece detalhes. “Bola em jogo pra você ligado na Globo”? Globo o caralho! Imprensa de gambá. Outro que não merece detalhes.

Os 90 minutos que eu prometi cantar, começou. 45 minutos se passaram e a tensão ficava ainda maior. Parecia que tínhamos perdido o primeiro jogo. Ninguém queria saber disso. O momento era mais importante. A torcida alviverde paulista não parava. O entusiasmo era gigante. A paranaense estava mais tensa, trocando em miúdos, na linguagem de arquibancada: com o cu na mão. Falta. Arruma bola numa posição melhor para a cobrança. “Gol dos caras”*. Fodeu. O filme era o mesmo, sabíamos que nada tinha mudado. O resultado era nosso ainda, mas… silêncio. Frações de segundo na cobrança da falta do Assunção, me recorri à música de Douglas Germano, aos 3 minutos e 50 segundos: “Silencia o palestra…pra depois vibrar!” GOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! Era cedo ainda pra arriscar, mas os mais ébrios já desentalavam o grito. Palestrino se conhece e sabe que “o jogo só acaba quando termina”. A áurea era a melhor de todas há 12 anos. E eu estava presente. Ou melhor, era parte integrante. “O juiz tá pedindo a bola. É agora. Ah, não, ele tá falando pro Bruno cobrar o tiro de meta”.

ACABOU! A chuva que havia dado trégua se fazia presente nos olhos de cada palmeirense. O choro era inevitável. Assunção chorava na nossa frente. Felipão veio até nós pra trazer a taça. Era nossa também. É do Palmeiras! O “Estádio Alto da Glória” se vestiu de Palestra Itália por uma noite. Foi a noite do “Palestra Itália do Alto da Glória”. E estávamos, literalmente, no alto da glória. O título vídeo do Gabriel Santoro colocado no post anterior já diz: A caminho da Glória. Fomos busca-la. E conquistamos. Conquistamos, além do título, e acima de tudo, o respeito. Somos imponentes. 11 vezes campeão nacional. O primeiro longe de casa. Meu primeiro jogo fora de casa. Meu primeiro título na cancha. Mas nem tão longe assim…

Estávamos em casa, sim. No Palestra Itália. Nas ruas da capital paranaense, apenas palestrinos. Não era o famoso pernil que comíamos na frente do Palestra, mas foi numa barraquinha de lanche na rua do hotel do Verdão que matamos a fome. “Meu amigo, me vê um x-coxa aí. Tem?”. Curitiba era nossa. São Paulo era nossa. O Brasil é nosso. O Brasil é do Palestra, porra! Aquilo que estava entalado para muitos ou nunca antes gritado por outros tantos mais novos, podia ser finalmente entoado: É CAMPEÃO! BI-CAMPEÃO!

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*A Rádio 98 fm Curitiba narra o gol do time adversário desse jeito em todos os jogos. Ouça a única bola acertada por Betinho. A do título.

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O alviverde foi imponente. Sabia o que vinha pela frente. A dureza da peleja não tardou. E mesmo assim, no ardor da partida (questões externas e internas), fizemo-nos leais. Da defesa não passou. O ataque mostrou raça. A torcida, como sempre, presente, cantou e vibrou. E, de fato, somos campeões.

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Eu tentei cantar os 90 minutos, mas não deu. Tive cantar muito mais que isso. Afinal, o principal grito, aquele entalado, foi o que extrapolou o tempo regulamentar. Aliás, no dia seguinte, sem voz alguma, de alma lavada, minha primeira frase foi: “Campeão, porra”. E voltei a dormir.

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“Gente que acha que o Palmeiras se apequena tem miopia histórica”, diz Mauro Beting no seu post após o título.

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Cânticos:

“Puta que pariu, é campeão da Copa do Brasil!”
“Ô gambazada, presta atenção. Ano que vem não é o Boca é o Verdão!”
“Oooooooo, vice de novo!”

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Informação

Publicado em julho 14, 2012 por em Pós-Jogo.

(Publicidade Gratuita até 20/05/14) #AvantiBasqueteSEP

@ArqPalestrina

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