Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

O MAIOR PALMEIRENSE QUE JÁ CONHECI


Por João Malaia (@ArqPalestrina)

Muitos amigos que conheço, Palmeirenses ou não, já me afirmaram: “Você é o cara mais palmeirense que eu já conheci”. Minha resposta a esse comentário é simples: “Igual a mim, tem um porrada! Mais fanático que eu, então, você nem imagina!”.

Acredito que muitos de vocês já devem ter ouvido um comentário assim e dado respostas parecidas com a minha. Mas hoje gostaria de compartilhar com vocês a experiência que tenho com um carinha que, com certeza, é o maior palmeirense que eu já conheci.  Seu nome, Henrique Penido Malaia. Nove anos de idade, carioca, meu filho.

Desde 2003, divido minha vida entre SP e RJ. Trabalho parte da semana em SP e a outra no RJ, minha residência, ao lado de minha esposa, carioca, que diz ser Fluminense, mas que fica feliz mesmo é quando o Palmeiras ganha.

Henrique nasceu em 2003. Ano triste para a nossa história, quando estivemos no lugar em que nunca deveríamos ter estado. Toda a minha família mora em Portugal. Meu filho os vê raramente. Quase toda a família da minha esposa mora no Rio. Quase tudo flamenguista, um ou outro tricolor (como diria Nelson Rodrigues, Tricolor é o Fluminense, o resto é time de três cores) ou botafoguense.

Carioca não aceita que uma pessoa no Rio não tenha um time de futebol do Rio. Carioca não aceita que se você nasceu, cresceu e viveu no Rio de Janeiro, não tenha um time do Rio para torcer. Eles até aceitam que você tenha dois times (vejam só!), mas não aceitam que você não passe sua vida indo ao Maracanã quase todo final de semana para ver seu time jogar. Isso faz parte da cultura do torcedor carioca.

Sabendo disso, antes do Henrique nascer, me dirigi a todos os integrantes da família da minha esposa para uma conversa. Gentil, educado, mas curto e grosso:

“Pessoal, é o seguinte: o Henrique, meu filho, é palmeirense. Quem vai passar a vida levando ele ao estádio, sou eu. O Henrique não tem dois pais, nem duas mães, nem dois times. Para mim, isso não é brincadeira. Por isso peço a colaboração de vocês. Não só peço para que não me venham com camisas e objetos de outros times para ele, nem com ‘Mengo, Fogo, Nense’, como peço a ajuda para incentivarem seu amor pelo Palmeiras. Pelo bem de nossa vida familiar dos próximos 60 anos”.

Henrique nasceu em uma maternidade do bairro Humaitá, com uma camisa do Palmeiras com o nome dele na frente pendurada na porta.

E foi crescendo, aprendendo a falar “Vedão!”, depois “Verrdão” e enfrentando as maiores adversidades para que pudesse exercer sua Palestrinidade. A família entendeu o recado. Agora, e as professoras, e os amiguinhos da escola, os pais dos amiguinhos? Fui dando o recado para todos.

Nas festas de aniversário, hino dos quatro do Rio, nada de hino do Palmeiras. Todo mundo com camisas de times cariocas e lá estava o Baixinho com a camisa do Palmeiras, o verde reluzente, no meio de vermelhos e pretos, alvinegros e coloridos. Ninguém entendia aquilo.

Peça-chave nesse quadro foi meu amigo Denais, meu japa-bróder de São Paulo, companheiro de estádio desde 1995, que se mudou para o Rio e mora pertinho da minha casa. Japa assiste quase todos os jogos comigo e ele e Henrique se amam. Aí ele já entrou no esquema e só deu o gás no moleque. Aqui, os dois em São Januário.

Em qualquer ocasião, quando perguntavam e ainda perguntam para o Henrique: “Que time você torce?”, ele sempre respondeu: “Palmeiras”. Invariavelmente, em todas as ocasiões, após a resposta, vinha uma segunda pergunta: “E aqui no Rio?”. Henrique foi treinado desde que nasceu para essa pergunta. A resposta estava na ponta da língua: “Aqui no Rio? Palmeiras!”. Não foram poucos os açaís que ele ganhou por acertar a sequência de respostas a perguntas feitas a ele várias vezes por dia. Parte do treinamento.

Henrique aprendeu também, desde que nasceu, que após qualquer barulho de rojão deve entoar: “Palmeeeeeeiras! Palmeeeeeeeiras!”.  Que sempre que põe a camisa beija o escudo. Que nos jogos do Palmeiras no estádio, pode falar palavrão à vontade. E tive a dura tarefa de ensinar a ele, que Palmeirense não vive de títulos. Que Palmeirense vive de Palmeiras.

Todo ano seus amiguinhos comemoravam títulos cariocas, Copas do Brasil, Brasileiros. O Palmeiras, um Paulista, em 2008. Tinha ele cinco anos, mal se lembra. No Rio não se fala do futebol paulista. Em 2009, quando o Palmeiras afundava no Brasileiro, saiu com a camisa do Palmeiras e ouviu de um taxista: “Você tem que mudar de time!”, e ele respondeu, sem treinamento: “Não mudo de time nem que todos os jogadores do Palmeiras morram de gripe suína!”, em referência à epidemia que se espalhava pelo país.

Pronto. Não precisava de mais nada, de mais treinamento, de mais açaís. O Henrique havia sentido o que era ser palmeirense, o sofrimento e a angústia, mas também o apego, a paixão.

Nas poucas vezes que fomos ao estádio, a maioria em São Januário e uma vez no Palestra, o Palmeiras não ganhou. Só empatou. Pior, a maior parte das vezes de zero a zero. Mas sempre disse que é uma das coisas que mais gosta. Entra lá, solta a goela e dá-lhe palavrão. Já fez com que uma senhora com duas crianças saísse de perto, tamanha saraivada de palavras totalmente apropriadas ao ambiente em que estava.

Depois de enfrentar tudo isso, de ser o único palmeirense de uma escola de mais de mil alunos, faltava o Palmeiras dar a ele a oportunidade de ser campeão. De sentir o gostinho de estar em todas as páginas de jornal, em todos os noticiários, de ostentar a camisa como campeão nacional, dando o famoso “chupa!”, sem precisar abrir a boca.

Assistimos os dois jogos juntos. No segundo jogo, após o gol do Coritiba, saí da sala enrolado na bandeira e fui para o quarto dele. Fechei a porta, sentei na cama, cabisbaixo, imaginando como eu ia explicar mais uma tragédia para ele. Imediatamente, Henrique abre a porta, vai até a cama, segura meu braço com força e me diz, com aquele sotaque carioca carregado: “Pai, eu tenho cerrrteza que o Palmeirax vai fazer um gol! Nóix vamos empatar e vamos serrr campeõex! Levanta daí e vamos para a sala!”.

Puta que pariu! Me levantei, chegamos na sala, falta para o Palmeiras. Marcos Assunção, Betinho… Lá estou eu e Henrique na janela, gritando gol e mais palavrões. 46 minutos, Henrique me pede: “Pai, está tarde, Mamãe está dormindo, mas vamos pra janela gritar ‘É Campeão!’?” Lógico, Henrique! Que se foda que está tarde! Vou gritar “É Campeão!” você! Apita o árbitro, Henrique já está enrolado com a bandeira, me abraça, vamos para a janela: “É CAMPEÃO!! É CAMPEÃO!! É CAMPEÃO!! É CAMPEÃO!!” Sei lá quantas vezes. Eu parei e ele continuou. Começou a correr pela casa gritando com a bandeira no pescoço, tipo super-herói. Foi em todas as janelas, gritou, voltou para a sala. Esperou o capitão levantar a taça, voltamos para a janela, gritamos mais.

No dia seguinte, saí para trabalhar. Voltei na hora do almoço. Peguei o pôster de campeão do jornal e mostrei para ele. Quando viu, me disse: “Agora, sim!”.

Agora, sim, Henrique! Toma que esse caneco é teu. Aqui é Palmeiras, meu filho. Você sabe tanto quanto qualquer palmeirense. Você é o maior palmeirense que eu já conheci.

PS: Henrique de férias, jogo Palmeiras e Bahia confirmado para Pacaembu. Beleza! Comprei as passagens aéreas SP/RJ, fico em um apê em Perdizes, perto do estádio. Meu vôo chega 16h, 17h30 tô no apê, 19h30 saio de casa, 23h30 tô em casa com o moleque. O que nossa diretoria faz? Passa o jogo para Barueri! O que eu faço agora? Alugo um carro? Como eu vou levar o moleque de nove anos em Barueri para um jogo às 21h? E se não conseguir pegar transporte público a tempo para voltar? Que horas vou chegar em casa com ele? Quanto tempo e dinheiro a mais teremos que gastar? Aonde está a responsabilidade de quem organiza os jogos com aqueles que se planejam? Valeu diretoria! Muito obrigado mesmo.

Para maiores informações leiam o excelente  post de hoje do Forza Palestra.

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13 comentários em “O MAIOR PALMEIRENSE QUE JÁ CONHECI

  1. aline toschi
    julho 17, 2012

    Emocionante o texto. Senti uma dor forte no coração pois tenho um filho de 10 anos que até os 4 anos eu consegui faze-lo dizer que torcia para o Palmeiras, mas quando o pai o presenteou com a camisa do Grêmio eu perdi… o amor dele foi maior. Mas assim como o Henrique, ele que é de Osasco e é gremista de alma e coração.

    • arquibancadapalestrina
      julho 18, 2012

      É Aline, aqui em casa fiz um acordo com a esposa: eu decido o time, você decide o resto (nome, local de residência, escola, religião, etc.)!

  2. Marcos
    julho 18, 2012

    Tenho um filho de 14 anos. Pouco lembra de 2008. E eu falava aos meus amigos. “Tá foda!!! Foi uma luta fazer meu filho realmente Palmeirense, e todo jogo que vamos ou que assistimos pela televisão, quase sempre tenho que explicar porque perdemos ou empatamos…” E isso acabou com a Copa do Brasil. Portanto entendo perfeitamento o que ocorreu acima.
    Estou a disposição para ajudá-lo. Podemos ir juntos à Arena Barueri. Não precisaras pegar transporte público. Pode entrar em contato comigo: tatadujas@gmail.com

  3. André
    julho 18, 2012

    Muita gente me chama de fanático, doente e não entende o amor que eu tenho pelo Palmeiras. E ao ler seu texto eu me identifiquei por ver que eu amo o Palmeiras desse jeito por conta do meu, já falecido, pai. De crescer vê-lo ouvindo os jogos no radinho de pilha até quando estava tomando banho, de ver o palmeiras super campeão da década de 90 sempre ao lado dele, de assistir a uma série B inteira ao seu lado, e tomando uma Original juntos quando eu já era maior. O velho faz uma falta do kct e é nos jogos do Palmeiras, ali na arquibancada, que eu sinto que ele deixou raízes profundas.

    Hoje eu tenho uma sobrinha de 7 anos que, apesar de ter um pai São Paulino, cresceu vivendo Palmeiras. Quando vou aos jogos ela pede clemente: “vó, põe no jogo do verdão que meu tio tá lá”. Ver a pequena comemorando um título tão nova, foi mais emocionante ainda!

    Parabéns pelo texto! E que o pequeno possa um dia transmitir tudo isso que você ensinou!

  4. Dulce Malaia
    julho 18, 2012

    É difícil estar longe e não poder sair na janela para gritar “é campeão”! Talvez a graça de ser palmeirense venha mesmo da raridade que é poder dar um “chupa” para todos os outros…quero acredeitar que a graça de ser sportinguista é essa, já que empatamos em raridade!
    Te vi crescer entre santistas orgulhosos de Pelé e corinthianos orgulhosos nem me lembro do quê, firme, palmeirense; agora pressinto Henrique, à distância, um mini pai. Dá-lhe Verdão! E tu, pai do henrique, pára de escrever textos assim: é que a saudade pode até matar.
    Parabéns a todos os palmeirenses.

    • arquibancadapalestrina
      julho 18, 2012

      Mana, querida! Como sabes, o Sporting é o motivo do pai ter escolhido o Palmeiras aqui no Brasil. Por isso, guardo com carinho nossos Leões. Saudade imensa de vocês todos. E lembra que tu, nos 15 anos de Brasil, também davas uma força para o Palmeiras. Não sei se era por gostares do clube, ou por veres o sofrimento do teu irmão. De qualquer modo, estás também no bolo de “todos os palmeirenses”. Assim como a tua filha, Ana, que aprendeu aí em Portugal, em 1997, aos 2 anos, a saltar quando ouvia uma música da torcida do Sporting, adaptada: “E quem não salta é gavião, olê, olê!” E lá saía minha baixinha aos saltinhos…

  5. Marcelo Nascimento
    julho 18, 2012

    Fantástica história!!!
    Acho que o que explica tantos palmeirenses, apesar desses grandes “gaps” de títulos é que, quando o time engrena, ninguém segura – com isso, somos o time com mais títulos nacionais. Daí, as tantas glórias acumuladas tornam a “mística” dessa camisa tão forte, mas tão forte, que nos alimenta por tanto tempo, formando e mantendo tantos torcedores em São Paulo, no Brasil e pelo mundo (sim, exportamos palmeirenses!) mesmo nos períodos que o time não ganha (que espero esses jejuns acabem!).
    A história de seu filho é muito legal e inspiradora. Ao mesmo tempo, é a história de vida de muitos de nós!! Veja por exemplo a minha geração. Tenho 40 anos, nascido em 1971. Como podem imaginar, os títulos do Palmeiras de 1972 e 1973 (Campeonato Brasileiro) e 1972, 1974 e 1976 (Campeonatos Paulista) não fazem parte de minha memória. Assim, semelhantemente a seu filho, eu só vi o meu Palmeiras campeão, de fato, em 1993, já com 22 anos!!! Imagine que passei toda minha adolescência, o estudo médio todo, até quase o final da universidade, tendo de ouvir são paulinos e corinthianos comemorarem títulos e ainda ouvir da nossa tão longa fila à época… Fora isso, mesmo morando em São Paulo, ainda acompanhar pelas notícias aqueles times do Flamengo e Grêmio levando a Libertadores e mundiais… Enfim, a minha geração passou por momentos talvez bem piores… Por isso, fico feliz pelo seu filho ver o Palmeiras campeão de um título tão importante, nacional, com 9 anos!!! É esperança para mim que esta geração será então mais vencedora ainda e que logicamente me beneficiarei disso agora, curtindo tudo isso!!
    Abraço!!
    Marcelo

    • arquibancadapalestrina
      julho 18, 2012

      Marcelo, entendo bem você, pois nasci em 1974. Sou da sua geração de sofredores e também fiquei feliz em ver o Henrique sentir um caneco aos 9 anos. No caso dele, no Rio, isso foi muito importante. O moleque anda agora de peito estufado.Grande abraço,
      João

  6. Julio Cesar
    julho 19, 2012

    Ah cara, história emocionante. Parabens pelo filho, e pelos treinamento feito com ele.
    Tenho 19 anos, e é muito bom comemorar esse título. Não me lembro praticamente nada de 99 ou até antes. Comemorei em 2008, mas sempre ouvindo ‘Campeonato Paulista não conta’.
    Meu pai também é Palmeirense, e não me lembro dele me influenciar, e nem sei o que me levou a ser Palestrino… simplesmente sou.
    Moro no interior de SP e infelizmente nunca fui a um jogo de futebol, meu pai sempre teve muito medo de me levar a jogos, e cresci com esse pensamento, que estádio é muito perigoso. Porém, agora mais grandinho, estou determinado a ver meu Verdão de perto… só estou esperando a melhor oportunidade.
    A você quero dizer que continue passando todo ensinamento alvi-verde ao seu filho, e sempre que possível levar ao estádios. Sinto falta disso, eu e meu pai não somos tão ligados, assistimos aos jogos juntos por não ter outra televisão, e nessa Copa do Brasil, pela primeira vez eu, ele e minha irmã mais nova (8 anos, assim como seu filho, e eu tenho ensinado o que sei a ela) nos abraçamos depois do jogo, e soltamos rojões juntos. E acho essa relação pai-time-filho tão bonita.
    Espero que o pequeno Henrique possa gritar ‘É CAMPEÃO’ muitas e muitas vezes.
    E VAAAAAAAAMOS PALMEIRAS!

  7. Tatiana Colucci
    julho 20, 2012

    Nossa, lindo o texto!
    Li para minhas irmãs e mãe – todas palmeirenses de arquibancada.
    Minha mãe, lógico, chorou!
    Lembrei de mim mesma à espera de um título, que só vi aos 13 anos (1993).
    E de como agradeço meus pais por serem palmeirenses, nasci na família certa!
    Parabéns e obrigada.
    “Palmeirense não vive de títulos. (…) Palmeirense vive de Palmeiras”.

  8. Thiago Mancha Grajaú
    julho 27, 2012

    Texto do Caralho, PQP, imagino quando tiver meu Filho, vai ser da mesma Forma, vou carregar esse Muleke pra tudo que é canto, qdo tiver Jogo…..EMOCIONANTE!!!!

    Sobre a Mudança do Jogo, OBRIGADO Diretoria, você não imagina quantas crianças vocês estão deixando se perder, vocês não Amam o Palmeiras, pelo contrario estão nem ai….!!!!

  9. gabriel
    outubro 18, 2012

    Cara, muito legal a história. Tenho 14 anos e eu acho que o mais loko de ser Verdão é viver a emoção que é diferente de qualquer outro time. Episódios tipo quando a diretoria contrata Betinho, todo mundo xingando aí o cara vai lá e faz o Gol da Copa Do Brasil! Isso só acontece no Palmeiras, o que você provavelmente acha ruim mas eu não. Eu pessoalmente gosto de ver jogos sozinhos, sem ninguém na sala. Me isolo do mundo pra ver os jogos. Até porque meus pais e meu irmão não ligam muito pra futebol.
    Bom, muito legal sua história e pode garantir pro seu filho que 2013 é campeão da Libertadores! (com gol de Betinho)

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Informação

Publicado em julho 17, 2012 por em Quando a bola não rola.

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