Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Números, argumentos e atitudes

Por João Malaia e Marcelo Ricci (@ArqPalestrina)

Geralmente, quando nos propomos a provar uma determinada hipótese, uma das maneiras mais eficazes e evidentes é através do uso de métodos quantitativos. Eu não sou economista, nem matemático ou administrador. Mas concordo com a ideia de que os números nos ajudam na construção de argumentos mais sólidos.

No entanto, os números sozinhos são burros. Há que se fazer um esforço em reunir os dados mais significativos e contextualizá-los para uma compreensão melhor do quadro geral.

O assunto é o mesmo: o mando de jogos da Sociedade Esportiva Palmeiras na Arena Barueri.
A diretoria vem usando o argumento de que, mesmo com a torcida sendo sacrificada, o time joga bem lá, os custos com o estádio são menores e os jogadores gostam de atuar na Arena.

Vejam a última declaração de nosso presidente, em relação aos jogos em Barueri, dada ao portal da internet do maior câncer do Brasil:
“Não vamos continuar a vida inteira jogando em Barueri, mas o torcedor tem de entender nosso sacrifício. A Arena nos dá uma possibilidade muito boa, temos poucas despesas. E da Faria Lima (avenida da zona sul de São Paulo) até lá eu levo 20, 25 minutos. Até prefiro o Pacaembu, mas lá o torcedor não vinha lotando também – disse o presidente.”

O Sr. Frizzo e o sr Tirone acreditam que na torcida do Palmeiras só tem idiota.

Primeiro: “nosso sacrifício”? Seu cretino! Que sacrifício você faz? Você leva 20, 25 minutos da Faria Lima para ir para Barueri. Você é tão cretino que se auto incrimina! Você sai da Faria Lima! Vai de carrão para Barueri! Se leva 20, 25 minutos, deve correr pra cacete, ou seja, não se importa nem com as multas e nem com as vidas ao seu redor! Esse é o seu sacrifício? Entrar num carrão, e ir da Faria Lima para Barueri em 20, 25 minutos no ar condicionado? Olha, já que você nunca foi a Barueri de transporte público, muito menos em um jogo às 21h50, veja estas imagens aqui! Veja se eu é que tenho que entender o seu sacrifício! Você, assim, só demonstra que não está junto de nós, que não sabe, nem quer nem saber pelo que a torcida passa.

Agora, a declaração de que a torcida não lotava o Pacaembu é daquelas lendas que se joga no ar para ver se cola. Ninguém acredita que os apaixonados pelo Palmeiras perderão horas importantes dos seus dias localizando números e calculando estatísticas para fazer cair por terra as explicações sem o menor fundamento que balizam a escolha da Arena Barueri. Também não acreditam que esses mesmos apaixonados são capazes de se levantar da inércia que caracteriza qualquer atividade de cunho reivindicatório na sociedade brasileira para lutar por mudanças no Palmeiras.

Pois é. Enganam-se. Aqui é Palmeiras, senhores. E nós amamos esta instituição. Chegamos ao limite da humilhação e da sem-vergonhice, ao ver nosso dirigente, homem-forte (?) do nosso futebol, dizer que toma atitudes mesmo sabendo que as mesmas sacrificam os torcedores do Palmeiras.

Passemos então a derrubar um por um os tais “mitos de Barueri”. Para os primeiros dois, elaboramos 3 tabelas que resumem a atuação do Palmeiras como mandante a partir de 2010, último ano em que jogamos no Palestra Itália. Vejamos como se deu o aproveitamento da equipe e a média de público em cada uma dessas canchas. Desprezamos os jogos disputados em Ribeirão Preto, Presidente Prudente e outros estádios em que o Palmeiras disputou apenas uma partida.

2010

Último ano jogando no Palestra Itália. Neste ano, o maior público aconteceu no Pacaembu, na partida semi-final da Copa Sul-Americana, contra o Goiás. O Pacaembu teve também a maior média de público do ano (17.485) e a maior média de arrecadação (R$463.500,00 por jogo). Só não teve a maior arrecadação de 2010, pois o Palmeiras fez o jogo de despedida do Palestra Itália com ingressos a preços elevadíssimos (R$80,00 o mais barato – inteira).

Tal média de público no Pacaembu impressiona ainda mais quando 9 dos 14 jogos da equipe neste estádio, cerca de 65% das partidas, tiveram início a partir das 21 horas. Desses 9 jogos, três foram pelas fases decisivas da Sul-Americana e em dois deles o estádio lotou (contra Atlético Mineiro – 35.985; e contra Goiás – 36.410). Mesmo retirando esses três jogos da análise (o outro foi contra o Vitória – 22.408), a média de público no Pacaembu em 2010 seria de cerca de 14.700 pagantes, sendo que mais de metade das partidas disputadas após as 21 horas.

Naquele ano, a média de público no Palestra foi de 11.071 pagantes por jogo, jogando seis das 16 partidas a partir das 21h. Vejam que em Barueri, mesmo com apenas uma das sete partidas disputadas após as 21 horas, a média de público não chegou aos 8 mil torcedores por jogo.

Nesse momento, a conta já deveria ser feita.
Se em cada jogo do Palmeiras no Pacaembu arrecadava-se quase R$ 265 mil reais a mais com venda de ingressos do que em Barueri, quanto mais o Palmeiras insistisse em jogar lá, maior seria seu duplo prejuízo, com menos gente dentro do estádio para empurrar o time e menos dinheiro entrando nos cofres do clube.

Mas sentar algumas horas e fazer contas deve dar muito trabalho para aqueles que tomam essas decisões. Olharam os resultados do ano e afirmaram: lá em Barueri nós jogamos melhor!

Referiam-se aos 66.6% de aproveitamento do time naquele estádio, nas sete partidas lá disputadas. Ignoraram que essa é uma média de aproveitamento conquistada apenas em sete partidas. Ignoraram que o time teve derrotas no Pacaembu por conta do foco na Sul-Americana, jogando com vários reservas em boa parte do jogos. Ignoraram que essa é a nossa média de aproveitamento normal, principalmente no Palestra Itália, como os 62,5% do ano comprovam. Ignoraram que não se pode confiar em cartel de lutador com apenas sete combates. Criou-se mais uma lenda no futebol. A de que o Palmeiras joga bem em Barueri.

2011

Em 2011, já não tínhamos casa para jogar. A nossa estava em reforma e só ficaria pronta dois anos depois. Estava na hora de encontrarmos um novo canto. A maioria dos jogos que o Palmeiras foi mandante aconteceu no Pacaembu e no Canindé.

O maior público do ano aconteceu de novo no Pacaembu: 34.716 torcedores assistiram Palmeiras e Santo André, pela Copa do Brasil, jogo que também gerou a maior arrecadação do ano, R$ 986.018,00. O Pacaembu também foi o estádio em que se obteve a maior média de público e de arrecadação do ano de 2011. Quase 15,5 mil pagantes por jogo geravam uma arrecadação média de R$ 431.521,00. Mesmo com um quarto das partidas ocorrendo a partir das 21h, esse foi o estádio que mais acolheu torcedores e gerou receitas para o clube naquele ano.

O segundo estádio que mais recebeu jogos do Palmeiras em 2011 foi o Canindé, na Zona Norte da cidade. O maior público (15.752) e a maior arrecadação (R$422.028,00) do ano naquela praça esportiva foi na partida Palmeiras e Grêmio, em um sábado, às 18h30. A média de público no Canindé não chega a dez mil torcedores e as rendas médias ficavam ainda muito abaixo do que se conseguia no Pacaembu. No entanto, a opção do Canindé apresentava-se menos pior que a de Barueri. Se a diferença nas médias de arrecadação entre o Pacaembu e Barueri no ano anterior quase chegaram a R$ 265 mil, na comparação de 2011 com o Canindé pouco passava dos R$ 180 mil. Eram os cerca de dois mil Palmeirenses a mais que compareciam no Canindé e não compareciam em Barueri.

Pelo segundo ano consecutivo, o Pacaembu apresentava uma excelente média de público de mais de 15 mil espectadores por jogo e uma pomposa média de arrecadação acima dos R$ 400 mil por partida. Neste caso, nem precisamos comparar os dois jogos em Barueri do ano de 2011. Apenas dois jogos, média de pouco mais de 5 mil pagantes por jogo, gerando pouco mais de R$ 90 mil por partida.

Ah! Mas ainda tinha a questão do aproveitamento. Vejam amigos, em 2011, o Palmeiras teve um aproveitamento de 66,6% nas 16, não sete, partidas disputadas no Pacaembu, Aproveitamento exatamente idêntico ao de Barueri no ano anterior. E nenhum jornalista, ou diretor apareceu para dizer que havia uma “mística do Pacaembu”. Não! A cada derrota no estádio lá vinham as declarações de que aquele estádio era do lixo da Marginal.

Mais, o melhor aproveitamento de todos se deu no Canindé! Impressionantes 69,23% em treze partidas. Até se falou que o Palmeiras gostava do Canindé, mas o mesmo não foi levado em conta para o ano de 2012.

2012

O que se avizinhava para 2012? Aonde faríamos nossos jogos? Para quem olhasse os números de público e renda, uma primeira certeza vinha à cabeça: Barueri, não!
Eis que estamos na terra da “torcida sacrificada”, na terra do Sr. Frizzo, na terra do “que se dane tudo, nós vamos aos trancos e barrancos e que se foda a torcida!”.
E qual foi a praça escolhida?

Pois é… até começamos a jogar no Pacaembu, mas logo vieram os argumentos loucos para justificar Barueri. Vejam Palmeirenses, um ponto aqui deve ficar claro. Para efeitos de comparação, colocamos a Arena Barueri em duas colunas. Um com os jogos da Copa do Brasil, outra sem tais partidas. Aos que se apressarem em afirmar que tal calcule distorce as conclusões, a resposta é simples: jogos decisivos lotam aonde for. O Palmeiras é um time de massa e esses jogos atraem muita gente de qualquer maneira. E mais, na verdade perdemos muito dinheiro ao mandar tais jogos em Barueri. O preço médio do ingresso para a final da Copa do Brasil neste estádio foi de R$ 65,00. No Pacaembu, seriam, pelo menos, mais 6 mil, ou quase R$ 400 mil a mais nos cofres Palmeirenses em cada partida decisiva.

Vamos comparar os números. Com os jogos da Copa do Brasil, a média de público em Barueri passaria, pela primeira vez, os dez mil pagantes por jogo. Devido ao alto preço dos ingressos nas finais e ao aumento no preço dos mesmos no Brasileiro a partir do título para R$ 40,00 a inteira mais barata, a média de arrecadação lá se elevou bastante, passando o meio milhão de reais por jogo. Mas esses números perdem força sem a Copa do Brasil. Com a saída dos três jogos das oitavas, quartas, semi e final, a média de público da Arena cai para 6.392 torcedores por jogo, com arrecadação de pouco mais de R$ 220 mil por jogo, lembrando que nas últimas cinco partidas (de um total de sete), justamente após o título, os ingressos foram aumentados em cerca de 30%. Isso explica que, mesmo com públicos pífios, a arrecadação com a venda de ingressos tenha aumentado. A média pífia foi obtida em sete jogos, sendo que apenas dois destes começaram após as 21h. Fosse maior a proporção de jogos à noite e a situação seria ainda mais lamentável.

Já no Pacaembu, mesmo jogando a maioria das partidas sem o apelo da decisão, como as rodadas iniciais do Paulista (do qual fomos eliminados precocemente) e a algumas rodadas do início do Brasileiro, em meio à disputa da Copa do Brasil.

Mesmo assim, nossa média de público neste estádio é de 11.191. Mesmo sem o aumento dos ingressos, a média de arrecadação por partida ainda é cerca de R$ 100 mil reais maior.

E o aproveitamento? Na Arena, com os jogos da Copa do Brasil, 63%, nossa média normal dos jogos em casa nos últimos anos. Sem os jogos da Copa do Brasil, cai para 52,38%, menor até do que o aproveitamento no Pacaembu em 2012, 55,55%.
Percebam que quase metade dos jogos na Arena Barueri aconteceram a partir das 21h. No entanto, quatro deles foram os jogos decisivos da Copa do Brasil.

No final das contas, a quais conclusões podemos chegar?

1. As melhores médias de público e de arrecadação desde que ficamos sem nossa casa aconteceram no Pacaembu. Lembram-se das contas de 2010? Cada jogo mandado em Barueri, em detrimento do Pacaembu, tinha em média R$ 265 mil de renda a menos. Ou seja, se tivéssemos tomado a decisão de mandar todas as nove partidas que jogamos em Barueri em 2011 e 2012 (exceto as quatro da Copa do Brasil) no Pacaembu, poderíamos ter faturado cerca de R$ 2.385.000,00 a mais com a venda de ingressos. Se tivéssemos mandado os jogos decisivos da Copa do Brasil no Pacaembu, teríamos as partidas com média de mais de 30 mil pagantes por jogo, como na Sul-Americana de 2010. Seria um total de mais de 120 mil ingressos vendidos, quase 40 mil ingressos (a R$ 65,00 em média) a mais do que aqueles que foram vendidos para as partidas decisivas da Copa do Brasil de 2012 em Barueri. Ou seja, mais de R$ 2.600.000 jogados ao ar. Só nessa pequena conta de amadores, podemos perceber que deixamos de faturar quase R$ 5 milhões de reais mandando jogos em Barueri. Dava para pagar as taxas mais caras do Pacaembu e ainda sobrava!

2. Nossa média de aproveitamento em Barueri nesses três anos é de cerca de 60%. No Pacaembu é de 55% e no Canindé, de 69%. Vem cá… 4% de diferença em aproveitamento em 20 partidas disputadas em Barueri significam 2,4 pontos. Arredondando, 3 pontos. Justifica mesmo “sacrificar o torcedor” por conta dessa diferença? Se é para ser esse o critério, Canindé bateu fácil com 69% de aproveitamento. Isso é lenda!

Palmeirenses, Barueri é economicamente inviável. Para o clube e para o torcedor. Essa lenda de que o time joga bem lá não existe. Os números estão aí para comprovar.

Caíram por terra os dois primeiros argumentos para a defesa de Barueri. Agora temos o terceiro, levantado pelo Sr. Frizzo: o fato dos nossos jogadores gostarem de jogar lá. Aí, Palmeirenses, chega a nossa de vez de trabalharmos para a mudança. Nós duvidamos desse argumento. Mas trabalhemos com a hipótese de que isto seja verdade.

Vamos sensibilizar nossos jogadores e nosso treinador com algum ato de nossa torcida, pedindo para que os atletas pressionem a diretoria para que voltemos a jogar no Pacaembu, com boa média de público, arrecadações mais gordas que compensarão as despesas mais elevadas do estádio e com o tradicional bom aproveitamento no estádio.

Vamos entregar uma carta ao nosso capitão, Marcos Assunção, para que os jogadores tomem conhecimento do nosso drama e se sensibilizem conosco. Vamos mandar colocar nos TT’s do tweeter #chegadebarueri, metendo essa porra no microblog toda a hora.

O sr. Arnaldo Tirone terminou sua entrevista com a seguinte declaração:
“Vamos analisar com calma e inteligência, entendendo o lado da torcida, que está reclamando muito. Por enquanto, vamos manter nossa programação”.

Então analise com calma e inteligência, Tirone. Veja os números, entenda o lado da torcida que está reclamando muito. Não pense no imediatismo de alguns cobres no presente. Analise através das médias, faça projeções e, por favor, não mantenha vossa programação.

Pensamos em fazer um abaixo-assinado para ser entregue à diretoria. Pode parecer um delírio. Mas acuse-nos o Palmeirense que nunca delirou! Desculpem amigos Palmeirenses. Ser Palmeirense já é um delírio.

Gostaríamos de conclamar todos os palmeirenses, aqueles que vão ao estádio e aos que não vão, a nos ajudar nessa luta. A luta por ter o direito de ter o que é nosso. Não podemos deixar que nos tirem o que é nosso, de ter um time que joga diante de sua torcida em grande número e que faz das ruas de sua cidade um verdadeiro carnaval alvi-verde. Nos ajudem a divulgar este abaixo-assinado, assinem nosso pedido de ter o direito de torcer.

Vamos mostrar a força de uma torcida que ama o Palmeiras e que não vai ser “sacrificada”. Ao menos não sem lutar.

Assinem e divulguem para toda a Família Palestrina: Pelo direito de torcer pelo Palmeiras

#chegadebarueri

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5 comentários em “Números, argumentos e atitudes

  1. Léo 1914
    agosto 7, 2012

    Cara, isso cai numa questão velha do futebol: é mais importante GANHAR ou gerar receita pra um time de futebol? Quando criticado pela crescente dívida do time do Santos, o preisdente Laor disse que a hora que ele quiser ele vende o Neymar e quita todas as dívidas, mas o importante era ganhar os jogos e dar alegria pros torcedores.
    Claro que no Paca as receitas seriam maiores, mas o principal argumento a favor de Barueri é o aspesto psicológico dos JOGADORES. É lá que eles se sentem MAIS A VONTADE pra jogar e ganhar. Quem já calçou uma chuteira na vida sabe que esse aspecto é muito importante e faz muita diferença no desenrolar do jogo. “Jogador de time grande tem que jogar bola em qualquer campo” é argumento pra quem nunca jogou bola na vida.
    Você e boa parte dos torcedores, por querer ir aos jogos, ouve os argumentos de forma muito parcial, vão refutar qualquer argumento a favor da Arena e prestigiar qualquer outro a favor do Pacaembú. Mas será que ganharíamos a CB12 jogando lá? Eu creio que não.
    Como você mesmo disse, números podem ser burros. A aproveitamento n Paca foi feito, como você mesmo disse, no paulista, contra times ridículos que o Verdão ganharia em qualquer estádio. Sem contar os vexames contra Comercial e Mirassol. Enquanto na Arena pegamos pedreiras como Inter, Grêmio, Coxa e Bicharada. Coloque aí os jogos, com o pretexto de ganhar dos pequenos e poder empatar com os grandes, e veja onde o aproveitamento planejado é realmente maior (não tenho certeza de qual estádio tem esse valor, gostaria de ver essa tabela).
    Pra mim, é muito mais vergonhoso perder em um estádio cheio do que ganhar em um estádio vazio. Por isso sou a favor de Barueri, mesmo que não consiga ir aos jogos as 21h50 lá.
    Abraços.

    • arquibancadapalestrina
      agosto 9, 2012

      Léo, respeito sua opinião, claro. E concordo com você que vamos ser parciais. Vamos mesmo. Somos totalmente parciais. Aliás, desconfie, mas desconfie muito, de quem se diz imparcial, pois isso não existe.
      Fiquei curioso com sua hipótese e, quando tiver um tempo, vou ver os números da maneira como você falou.
      O problema é que você está se balizando em dois argumentos altamente subjetivos. O primeiro de que os jogadores se sentem bem lá. Porra, Léo! Já passamos por dragas de ficar mais de 10 jogos sem vencer no Parque Antártica. Pediam até para o Felipão (e em outros tempos o Luxa) colocar o time para jogar no interior, no Pacaembu. E os técnicos sempre defenderam: o Palestra é nossa casa. Tudo bem, o Palestra é nossa casa. Mas se você já colocou uma chuteira, deve imaginar como deve ser gostoso jogar no Pacaembu com 20, 25 mil pessoas. Eu concordo com você que os jogadores poderiam se sentir melhor em Barueri. Mas o problema não era o Pacaembu, mas o time. Encaixou o time lá em Barueri, ganhamos a Copa, vida que segue. Sem o peso da responsabilidade as coisas ficam mais fácil em qualquer campo. Metemos 2 a 0 no Grêmio, no Olímpico. Acabo de voltar do Engenhão com um 2 a 1 em cima do Botafogo. Vamos para o Pacaembu, com a torcida empurrando que agora o time está leve, Deu a cota de Barueri.
      A segunda é a de que você acha que o Palmeiras não ganharia do Coxa no Pacaembu. Olha, eu sou historiador e analiso, no máximo o presente. Não faço conjecturas sobre o futuro, nem com o que aconteceria se algo fosse diferente.
      Como diria meu velho pai: “se uma das minhas avós tivesse saco, eu tinha três avôs”. Jogamos em Barueri, ganhamos, levantamos um caneco. Mas um time pertence à sua torcida. Esta já deu sua cota de sacrifício por Barueri.
      E mais, Léo. Digo isso não por mim. Eu vou aonde o Palmeiras estiver e eu tenha condições mínimas de ir e voltar. Pacaembu, melhor. Se for Barueri, que seja. Mas eu não luto por mim. Luto pelo direito da torcida ter seu time de volta. Nem que seja de vez em quando.
      Aliás, se é para usar argumentos subjetivos, o meu é este: um time pertence à sua torcida.
      Qualquer medida contrária a este princípio, eu e Marcelo vamos lutar contra.
      Grande abraço palestrino,
      João

      • Léo 1914
        agosto 14, 2012

        João, obrigado pela resposta!

        Bom, sobre subjetividade, se anularmos este tipo de argumento anulamos qualquer discussão sobre o futebol. Eu concordo com todos os argumentos que você citou, só acho que tem mais coisa em jogo.
        O papo que eu falei sobre “já ter calçado uma chuteira” era justamente sobre isso, sobre as subjetividades que ajudam ou atrapalham o cara na hora de jogar bola. Este post do Verdazzo, por exemplo:
        http://www.verdazzo.com.br/verdazzo/o-fim-do-palmeiras-de-barueri
        Eu sei que o post está comemorando exatamente isso, o fim dos jogos em Barueri, mas o que me chamou a atenção foi a questão do Felipão sempre usar uma coisa nada lógica (a grama molhada e os jogos em Barueri) pra unir ainda mais o grupo e criar uma atmosfera positiva pra eles entrarem mais motivados e ganharem os jogos. Nas duas vezes deu certo! Agora qualquer um mais corneteiro poderia dizer que a grama poderia estar molhada ou seca, que o jogo poderia ser lá ou no Paca, que o Verdão seria campeão de qualquer jeito. Mas vai saber…
        Ou esse post sobre o Obina (bem antigo):
        http://sportv.globo.com/platb/expressodoesporte/2009/07/26/obina-ou-futebol-e-simples-demais/
        Porra, você vai me dizer que isso não influenciava em nada o rendimento do cara? A mesma coisa pros bigodes do Valdivia e do Giba do vôlei em jogos decisivos.
        Eu tenho a mesma opinião que você e seu pai a respeito do “se” no futebol. Não dá pra cravar se haveriam mudanças ou não na história sem essas variáveis, por mais toscas que sejam. Mas a questão é: SE TA DANDO CERTO, pq mudar???
        Eu fui na semi-final contra o Grêmio, tinha camarote da Kia pra ir, demorei duas horas pra chegar, fiquei rodando de carro sem achar lugar pra parar e não consegui entrar no estádio, ouvi o jogo todo pelo rádio. Na final consegui comprar arquibancada, já precavido fui de trem, mas acabou o transporte público pra voltar e eu tive que andar meia hora e gastar mais 40 reais num taxi pra conseguir chegar em casa. Então eu sei mais do que ninguém que esse estádio é uma merda pro torcedor.
        Mas se o TIME se sentia a vontade lá, acho que soa até um pouco de egoísmo voce dizer “foda-se, venha jogar em SP e arrume motivação do próprio cu pra jogar bem aqui e a torcida poder ir ao estádio”.
        Agora perdemos duas lá e a tal mística acabou. Ok, que venham os jogos pra cá. Mas pros jogos do mata mata (Sula) ainda sou a favor de perguntar ao GRUPO onde eles se sentem mais a vontade e botar o jogo lá. Se eles disserem que preferem o Pacaembú com 30 mil pessoas, botamos aqui e fazemos promoção no ingresso. Se preferirem lá… lá vamos nós pro sacrifício mais algumas vezes. Tudo pelo bem do PALMEIRAS!
        Respeito seu argumento, mas tenho opinião diferente.
        Forte abraço palestrino!
        Léo

      • arquibancadapalestrina
        agosto 15, 2012

        Léo,
        Beleza. Sua opinião. Já te disse, eu vou aonde tiver que ir. Só não coloque aspas colocando frases que eu disse, como “foda-se, venha jogar em SP e arrume motivação do próprio cu pra jogar bem aqui e a torcida poder ir ao estádio”. Eu não falei nada disso.

        O que eu falei tá dito. É só ler.

        Abraço

        João

  2. Pedro de Gouveia
    agosto 9, 2012

    Leo seu argumento que os “os jogadores se sentem melhor em barueri” é completamente inválido.

    O Palmeiras é históricamente o time que mais foi campeão no Pacaembu(sim isso é um fato) além de ter deixado de ser Palestra e virado Palmeiras nesse mesmo estádio.

    Acho que se um jogador/torcedor do Palmeiras não se sente confortável no Paulo Machado de Carvalho, essa pessoa precisa urgentemente estudar a história do clube.

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Publicado em agosto 6, 2012 por em Quando a bola não rola.

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