Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Arquibancada Palestrina representando no Engenhão

Por João Malaia (@ArqPalestrina)

Hoje, o Arquibancada Palestrina tem o privilégio de contar com um de nossos autores presente na arquibancada Sul do estádio Engenhão para torcer pelo Palmeiras na partida contra o Botafogo.

Este que vos escreve, a cada ano, assim que sai a tabela do Brasileiro, corre para o calendário para ver quais serão os dias em que o Palmeiras estará no Rio de Janeiro. Nestes mais de dez anos de Rio de Janeiro e mais quatro de namoro com minha atual esposa, foram muitas as alegrias e tristezas na capital fluminense. Já vi o Palmeiras tomar meia dúzia do Fluminense no Maraca, vi o roubo escandaloso de 2008, contra o Flamengo, naquele jogo que o Wanderley tinha apanhado no aeroporto. Vi o roubo mais descarado dos últimos anos, quando Simon nos operou contra o Fluminense, em 2009. Vi a final de 1998 contra o Vasco. Vi muitos jogos no Caio Martins, inclusive os dois jogos na série B de 2003.

Amanhã, é dia de ver mais um Palmeiras e Botafogo. Mais um Palmeiras e Botafogo no Engenhão. Estava lá quando perdemos a vaga da Libertadores de 2010, na última rodada, nossa última esperança de deixar de ser a maior piada do ano do futebol nacional. Com dois gols de Jóbson, o “crack” do alvinegro à época, e com a vitória do Cruzeiro, na Vila Belmiro, perdíamos a vaga para o torneio que é a nossa obsessão.

Mas também fui testemunha de belas vitórias em terras cariocas. Em 2007, um “causo” daqueles para se contar. Dias antes da 1ª rodada do Brasileiro, um Palmeiras e Flamengo, no Maracanã, o time carioca teria que vencer por quatro gols de diferença o Defensor (URU), para não ser eliminado nas oitavas da Libertadores daquele ano.

Os diretores do Flamengo tem o hábito de trazer os jogadores aqui na igreja São Judas Tadeu, no bairro do Cosme Velho, muito próximo da minha casa, para agradecerem a conquista de algum título. Antes de pegar o Defensor, o Flamengo havia sido campeão carioca. Providencialmente, os diretores levaram os jogadores até a igreja um dia antes do jogo contra o Defensor.

Eu nunca tinha tido o desprazer e a infelicidade de cruzar aqueles pulhas todos perto da minha casa. E nem sabia que os caras estavam indo para a igreja. Eu estava indo para o ponto, pegar o meu busão.

Eis que vejo um enorme ônibus com aquela combinação de cores horrorosa, estampando um símbolo enorme do CRF. Como a igreja fica em frente ao trem do Corcovado, na Praça São Judas Tadeu, é cheio de flanelinha e vendedor ambulante. E turista, claro. Desci a rua, vi o Obina, machucado de muleta saindo de uma Merça. Aí a porta do ônibus se abre e começam a sair os mulambos.

Mano, eu sou torcedor. Eu sou arquibancada. Não aguentei. A estratégia foi a seguinte: só ia dar uma buzinada em ex-gambá. Qualquer coisa argumentava que a minha treta era com o lixo de São Paulo, não com o lixo do Rio de Janeiro. Saiu o Renato, meia. Eu sempre chamei o Renato de Renato Gambá. Isso era quase um sobrenome. Assim que ele foi saindo, ouviu, em altíssimo e bom som:

“Aê Renato Gambá! Domingo no Maraca é Palmeiras, hein? Tá ligado que é buxa, né freguezão! Não adianta rezar, não!”

Renato abaixou a cabeça. Ele tava ligado. Nego já me olhou meio esquisito. Renato Gambá? O que é que esse paulista tá falando?

Saiu o Bruno. O Bruno Banqu, Bruno Rottweiller, Bruno Macarrão, Bruno Gambá, o goleiro-assassino.

“Aê Bruno! Gambazão! Domingo é Palmeiras, viu? De novo! Edmundo vai meter dois gols em você! Dois gols, freguezão!”

Aí foi osso. Nego já começou a gritar comigo: “Aê pauliixta! Aqui é o Mengão, cóé merrmão!” e outras besteiras do tipo. Só falei o seguinte, já saindo de fininho para o ponto de ônibus: “Mano, minha parada é com os gambás. Meu recado tá dado” e ia ouvindo “pauliixta folgado, merrmão”, já pulando para dentro do primeiro ônibus que passou.

O Flamengo só fez 2 a 0 no Defensor e foi eliminado. No domingo, no Maracanã, tive um dos dias mais felizes da minha vida, quando Palmeiras meteu 4 a 2, com dois gols de… Edmundo! Na semana seguinte, virei a alegria de todos os guardadores de carro e ambulantes da Praça São Judas Tadeu. Um deles decretou: “Esse é o profeta do apocalipse rubro-negro”. Chupa São Judas Tadeu!

Hoje é mais um dia de Palmeiras no Rio de Janeiro. Dia de ir lá no Engenhão acompanhar meu time, cantar com a torcida e me sentir mais completo. Para verem como é o sentimento de quem mora aqui com o Engenhão, liguei para o Denais, meu amigo Palmeirense fanático que mora no Rio há quase 20 anos. “Denais, vamo no jogo hoje?” Resposta do maldito: “Puta, nem vou. Muito longe. Mas peraí que estou em uma reunião e já te ligo.”

Não tem jeito. Estádio é coisa de costume. O carioca não gosta de ir ao Engenhão. Carioca vai ao Maracanã e vascaíno vai a São Januário. O Engenhão, para piorar, tem sérios problemas quanto a transporte. A melhor opção é o trem, com estação na porta. Mas o drama do torcedor para voltar para casa é o mesmo em todo o Brasil quando os jogos começam às 21h50.

A linha que liga o Centro da cidade ao Engenhão encerra à meia-noite e quando os torcedores chegam à estação Central do Brasil, não tem como pegar nem outro trem para conexão, nem o metrô. Por isso os públicos pífios no estádio. Apenas para citar um exemplo de cada time no ano, em jogos a partir das 21h, pelo Brasileiro, já tivemos:

– Fluminense x Bahia, 19 de julho de 2012, 21h. Público: 5.395 pagantes;

– Flamengo x Portuguesa, 26 de julho de 2012, quinta-feira, 21h. Público: 8.138 pagantes;

– Botafogo x Figueirense, 28 de julho de 2012, sábado, 21h. Público: 3.041 pagantes.

O Engenhão só tem bom público em clássicos decisivos e jogos da Libertadores. Mesmo os clássicos, quando não são jogos de decisão, tem uma média de público de 15 mil pessoas. Não adianta, carioca gosta é do Maracanã.

Portanto, imaginem hoje como vai estar. Não devemos ter mais de seis mil pagantes. O público total não deve chegar aos 8 mil, sim, pois no Rio cerca de 1.500 a 2.000 pessoas entram todo jogo sem pagar.

Engenhão e Arena Barueri podem ter essas coisas em comum: maior distância do centro da cidade, péssimo público nas partidas, dificuldade de deslocamento com transporte público e são estádios relativamente novos.

Mas há uma diferença. Não no que se refere ao aos estádios, à localização dos mesmos  e aos públicos diminutos. Mas em relação a como pensam as diretorias dos dois clubes, já que sabem que o público na Arena e no Engenhão a partir das 21h é sempre menor, principalmente nesse horário cancerígeno das 21h50.

A diferença está no preço que cada clube cobra por seus ingressos. Os nossos, para as partidas que somos mandantes, custa R$40,00. Já o preço que o Botafogo vai cobrar pela sua arquibancada é de R$20,00.

Mesmo com a distância, o prejuízo é menor. Em São Paulo, com certeza, uma medida como essa poderia dobrar o público, mesmo em Barueri.

Imaginem como seriam os jogos do Palmeiras, no Pacaembu, com ingresso a R$20,00? Seriam rendas de mais de meio milhão de reais todo jogo. A torcida está carente do Palmeiras. Viram o que aconteceu ontem na Saraiva, com o lançamento do livro do Marcos? Viram o público de Palmeiras e Ajax, um amistoso em plenas férias de janeiro, com 25.452 pagantes?

É amigos, Palmeirenses. Infelizmente, parece que todos os assuntos me levam a refletir sobre a questão de Barueri.

Mas hoje tem Palmeiras em campo.

E o Denais me ligou de volta. “Ô Palmeiras, vamo lá então, né? Você passa lá em casa?” Demorô, maluco! Palmeiras é vício. Denais não aguentou nem meia-hora quando o bichinho picou!

Estarei lá no Engenhão com ele, representando cada um de vocês que não poderá estar aqui no Rio de Janeiro. Rezarei para os deuses do futebol, para que eles nos iluminem nesta noite, que será fria em temperatura, mas quente quando o Palestra entrar em campo.

Hoje, vou fazer uma das coisas que mais gosto na vida: vou ver o Palmeiras, na cancha, da arquibancada, gritando ao lado da minha família, como já fiz centenas de vezes. Cada uma melhor que a outra.

PS: O abaixo-assinado está com mais de mil assinaturas (1.169 neste momento, 16h33, 8/8/2012) em menos de 48 horas no ar. Vamos ajudar a disseminar esta ideia. O abaixo-assinado não é do Arquibancada Palestrina. É da torcida do Palmeiras. #chegadebarueri

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Informação

Publicado em agosto 8, 2012 por em Tensão Pré-jogo.

(Publicidade Gratuita até 20/05/14) #AvantiBasqueteSEP

@ArqPalestrina

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