Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás

Por João Malaia (@ArqPalestrina)

Tristeza. Não tenho outra palavra para expressar o que sinto hoje. Claro que é pela derrota do Palmeiras, claro que é por ver meu time na zona do rebaixamento, claro que é por ver que a situação vai se complicando rodada a rodada. Mas estou muito, mas muito mais triste, por estar presente no estádio ontem e ter visto o que vi. Sei que agora a raiva predomina. Qualquer coisa que seja dita sempre vai ser mal recebida por alguém. Uma vez que se escreve algo para que se torne público, estamos sujeitos a isso.

O que vou expor aqui é o sentimento mais puro de um coração absolutamente Palmeirense, de 38 anos, que dá a vida pelo seu time desde que se entende por gente e frequenta as arquibancadas dos estádios atrás do Palmeiras há exatos 25 anos. É apenas o depoimento de um fanático que nunca sentou em uma cadeira numerada, que nunca pousou a bunda no concreto enquanto a bola rolou no gramado de um estádio em que o Palestra estivesse em campo. O que vi ontem, me entristeceu demais. Acredito piamente, como alguns já devem saber, na força da torcida, no seu papel no embate. Para o bem e para o mal.

Se a torcida do Palmeiras é uma das mais apaixonadas do futebol mundial, carrega consigo a força para empurrar a equipa para cima, ou para baixo. Antes da partida, torcedores Palmeirenses exibiam notas de 10 e gritavam para Bruno, que fazia seu aquecimento, que era para ele completar o bicho para não cair para a série B. Pediam para que o goleiro honrasse a camisa do Palmeiras. Nas arquibancadas de um São Januário deprimente, vazio, em que a torcida do Vasco abandonou seu time, tudo era ouvido em alto e bom som.

Começou a partida, a torcida cantou o nome do técnico, dos jogadores e partiu para o apoio tradicional. Cantou, cantou, viu o Vasco perder várias chances, viu Wellington mostrar que não tem fundamentos básicos para jogar bola, mas continuou cantando. Os mesmos que cobravam Bruno eram aqueles que mais cantavam, mais se entregavam ao Palmeiras. Gol, comemoração, confiança. Empate, frustração, confiança. Continuamos cantando. Veio o intervalo e as notícias da rodada eram desoladoras. Só o empate Bahia x Sport de bom.

Começa o segundo tempo. Gol do Vasco. Temor, confiança e continuamos cantando. Felipão saca Barcos. Começam as ofensas a Felipão. Palmeiras vai perdendo chances. Luan não entendia que o jogo estava ganho pelo lado esquerdo. Perdia chances de gol, desperdiçava jogadas. Juninho não acertava um cruzamento. Artur não acertava nada pelo outro lado. Valdívia sumiu. Tomou várias pancadas, as faltas não eram marcadas e ele foi sumindo. Não chama a responsabilidade. Gol do Vasco. Aí, a casa caiu.

Ofensas a Felipão, cantos o chamando de velho gagá, filho da puta, mandando o técnico para a puta que o pariu, ou tomar no cu. Várias vezes. Torcida começa a achincalhar o time, o técnico, Sampaio, B1 e B2. Um por um, os jogadores foram xingados. Ei! Bruno, vai tomar no cu! Ei! Artur, vai tomar no cu! E assim por diante! Só Barcos e Tiago foram poupados. Vinícius estava em campo. Ainda não tinha chegado a sua vez na lista. Foi bater um escanteio. Bateu baixo, errado, mas o zagueiro meteu para escanteio. Torcida vaiou, ali do lado, xingou, quase pulou o alambrado. Vinícius bate o segundo escanteio. Baixo, errado, horroroso, pior que o primeiro. Ei! Vinícius, vai tomar no cu!

O Felipão, velho gagá! Se cair pra série B, se prepara pra apanhar! A bola rolando, mais de dez minutos a serem jogados. Mais 14 partidas a serem disputadas e nós, campeões da Copa do Brasil e precisando vencer 8 partidas dessas 14 que faltam, nos separamos do time. Para muitos, acabou a paciência, não há mais o que falar, tem que romper mesmo, tem que mandar todo mundo tomar no cu. Beleza, cada um pensa de um jeito.

 

Eu, pelo contrário, sou aquele sonhador, o soldado que não se entrega mesmo rodeado por todo o exército inimigo. E não vou abandonar o time enquanto houver qualquer possibilidade matemática para lutarmos para ficar no lugar que nos pertence. Há exatos dez anos vivi esse terror todo. Vi a torcida se divorciar do time no momento em que ele mais precisou. Vi o time cair para a série B. Muitos dos que hoje ofendem o time e os jogadores tem entre 18 e 23 anos. Tinham entre 8 e 13 anos quando o Palmeiras caiu. Eu já tô mais velho.

Não aguento pular o jogo todo, a voz já falha quando a sequência de jogos é intensa, o corpo vai pagando os anos e anos de arquibancada e outras peripécias. Talvez por isso e por acreditar tanto na força da torcida é que me recuso a participar desse tipo de manifestação. Acredito mesmo que esse tipo de situação só piora, e muito, a situação. Os jogadores vão desanimando, o técnico vai desanimando, a torcida vai deixando de comparecer.

Na minha cabeça, a situação ideal seria de apoio massivo e constante, independente de qualquer resultado, até o dia em que, matematicamente, não existirem mais chances. Aí, caso isso aconteça, se o apoio foi total e os caras caíram, sou a favor de uma pressão geral. Os mesmos 30 mil que apoiaram no estádio comparecerem na Barra Funda e cobrarem dos responsáveis, que todos nós já começamos a saber quem são.

Sou assim, quem não concordar, fazer o que? Sou um cara que se recusa a xingar os jogadores e o técnico e já teve nego que me disse que sou corneteiro! Se eu corneto alguém é a torcida. É dela que eu faço parte, é ela que eu amo tanto quanto o Palmeiras, é nela que estão pessoas que nunca vi e que considero tanto quanto minha família.

Vou continuar lutando. Domingo, ingresso comprado e apoio total. Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás!

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3 comentários em “Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás

  1. Léo 1914
    setembro 13, 2012

    Perfeito, cara! É ridículo xingar jogador quando ele precisa de apoio. Vão ganhar o que com isso??
    É óbivio, é só pensar. Os caras são ruins? São! E o que traz mais retorno ao time: um cara ruim sendo xingado ou um cara ruim sendo incentivado?
    Quem vai pro estádio pra xingar jogador, pra mim, é gambá enrustido ou simplesmente BURRO de achar que isso ajuda de alguma forma.
    Domingo também estarei lá, e tenho certeza que vou arrumar confusão na bancada, pq vou xingar em dobro os corneteiros fdps que vão lá pra falar merda.
    Abraços.

  2. Marco
    setembro 13, 2012

    Excelente post. Essas atitudes da torcida têm que aguardar o momento certo. Enquanto houver probabilidade matemática, estarei apoiando. Depois vemos o que fazer.

  3. Luiz Fernando
    setembro 14, 2012

    Muitas vezes já me peguei defendendo a MV em muitos casos,mas cara,xingar os jogadores??!! Na véspera de um dérbi??!?!?,ameçar bater num senhor de 64 anos!!!??

    Essas atitudes fazem a torcida comum se afastar cada vez deles,até mesmo dos próprios membros dela que com certeza discordam dessas palhaçadas em sua maioria

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Publicado às setembro 13, 2012 por em Pós-Jogo e marcado , , , .

(Publicidade Gratuita até 20/05/14) #AvantiBasqueteSEP

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