Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Obrigado, Marcos.

Por João Malaia (@ArqPalestrina)

OBRIGADO MARCOS

Depois de ler o excelente texto do Marcelo, tomei vergonha na cara e volto a escrever para nosso blog. Como alguns de vocês sabiam, estava estudando como um cachorro para uma prova que poderia estabilizar minha vida nos próximos 30 anos. E felizmente, consegui passar. E com isso, volto a escrever.

Bom, o tema de hoje não poderia deixar de ser a despedida do eterno Marcos. Marcos é realmente um personagem do futebol brasileiro. Um personagem que pude acompanhar de perto. Acompanhei toda a carreira de Marcos, um homem que fez verdadeiros milagres debaixo dos paus, mas que também tomou frangos horrorosos. Um homem, acima de tudo. Um homem que nunca se omitiu, que errando ou acertando, se fazia presente. Por isso é nosso Santo. Marcos não recebeu essa alcunha só pelas grandes defesas, pelos milagres. Mas porque foi e é homem. Sujeito-homem, que acerta, que erra, que ri, que chora e que entrega. Acima de tudo, se entrega.

Minha admiração por goleiros vem desde que nasci. Meu pai era goleiro. Quem acompanha, de vez em quando, o campeonato português já deve ter visto o Sporting Club Olhanense, da pequena cidade de Olhão, na região do Algarve, Sul do país. Uma região cheia de praias maravilhosas, mas também a mais pobre de Portugal.

Pois bem, meu pai, “seu” Malaia, foi goleiro da equipe de juniores do Olhanense, chegando a integrar o plantel da equipe de cima na temporada 1955/1956, que ficou em 3º lugar na segunda divisão do campeonato português.

Meu pai sempre me falava sobre goleiros. Como os caras são diferentes, como tem que saber outras coisas do jogo, como, geralmente, são os caras um pouco acima da média, além das observações técnicas da posição.

Desde pequeno meu pai me ensinou a agarrar a bola, como cair no chão, como se posicionar corretamente, qual mão usar para buscar a bola, como defender um pênalti, como sair do gol e outras peripécias dos goleiros.

Por isso, nas peladas, sempre fui goleiro. Com 14 anos eu era o “Velloso” do futebol de areia dos caras mais velhos do clube que frequentava, em São José dos Campos-SP. E também tomei meus pirus, furei chutes, errei passes e outras coisas que nosso querido Marcão também fez.

Meu pai não foi um cara que acompanhou o Marcos. Foi transferido de volta do Brasil para Portugal em 1993. Me fez Palmeirense em 1976, quando chegou ao Brasil, vindo de Angola, tinha eu 1 ano e 10 meses. Como meu pai é torcedor fanático do Sporting Club de Portugal, o alviverde de lá, chegou aqui, viu a Academia de Verde e Branco dando chocolate em todo mundo e não teve dúvidas: sou Palmeiras.

Para um imigrante, recém-chegado, e doido por futebol, era importante escolher um time, fazer parte de uma comunidade, criar laços identitários com os locais. Nada melhor que o futebol. E meu pai sempre falou: filho torce para o time do pai. Comigo, nem teve trabalho, tamanho respeito que tenho por ele. Era simples: meu pai mandou, tá cumprido.

E assim me tornei Palmeirense. Mal sabia meu pai, que em 1976, ele comemoraria o primeiro e único caneco do Palestra enquanto viveu por aqui. Quando fomos campeões, em junho de 1993, meu pai já estava em Portugal. Aliás, eu também.

Meu pai, ex-goleiro, Palmeirense que só comemorou um caneco do Verdão, o cara que me fez Palmeirense, esse precisava ver o jogo de despedida do Marcão. E foi assim que pensei. Comprei as passagens dele de Portugal para cá para chegar terça-feira à noite, era o dia mais barato da semana. Ele chega às 21h50 de hoje e a ideia era irmos todos amanhã ao Pacaembu, as três gerações de Palmeirenses: meu pai, eu e meu filho.

Passagem comprada dia 18 de outubro de 2012

Passagem comprada dia 18 de outubro de 2012

Meu filho era outro que tava pilhadaço de ver pela última vez o Marcão no gol. Com nove anos, está agoniado com o time na 2ª divisão. A festa de fim de ano, com o avo e tudo no estádio era para salvar o reveillón do Baixinho.

E o que a diretoria do Palmeiras fez? Todos sabem que nossos putrefatos diretores, essa canalhada de sem-vergonha que não ama nosso time e ama mesmo é o poder, resolveu antecipar o jogo, mesmo depois de estarem vendidos mais da metade dos ingressos. O motivo? Uma hipotética final do SPFW, que veio a acontecer, no mesmo dia.

E eu pergunto: e se o SPFW não chegasse à final? E o meu direito de ver o jogo na quarta-feira? E o marketing do 12/12/12? E o meu pai? E o meu filho? E tantos outros Palmeirenses que ficaram na mesma situação que eu?

A resposta deve estar prontinha na cabeça de um desses filhos da puta que se responsabilizam por dar as canetadas pela Sociedade Esportiva Palmeiras.

Esse ano nós fomos achincalhados pela diretoria. Fizeram a palhaçada de passar os jogos para Barueri, depois a palhaçada dos ingressos das finais da Copa do Brasil, mais palhaçada com o aumento dos ingressos para o Brasileiro e a manutenção de Barueri. E para falar só desse tipo de palhaçada, a cereja no bolo foi a antecipação do jogo de despedida do maior ídolo de nossa história. Um jogo marcado há meses, que faria muito Palmeirense se planejar para estar lá, em plena quarta-feira, dez horas da noite. Esse não é um jogo para quem mora na capital. Esse é um jogo para os Palmeirenses do mundo.

Neste momento, espero a hora passar para pegar meu pai no aeroporto. Ele chega 21h50. Até sair e chegarmos em casa, vai ser mais de meia-noite. Nem na televisão vamos ver o jogo.

Parabéns, Marcão. Parabéns pelos tantos anos dedicados ao Palmeiras com galhardia, ajudando a fazer uma “defesa que ninguém passa”.

Parabéns, Palmeiras. Por ter deixado para a história um dos maiores goleiros que o futebol já viu.

Agora, para a diretoria do Palmeiras, mais precisamente os morféticos do Arnaldo Tirone, Roberto Frizzo e Piraci, o que eu desejo para vocês é o que toda a arquibancada do Palmeiras já te diz há muito tempo. Eu tenho ódio de vocês. Vocês atingem danosamente a Palmeirenses que dedicam sua vida atrás do time. Vocês podem dizer que dão a vida pelo clube também. Ok. Acredito. Mas tá errado, porra! Vocês estão fazendo merda, cacete! Vocês estão fodendo, só no meu caso, três gerações de Palmeirenses, seus filhos da puta! Isso não se faz, porra!

Eu tô acostumado com essa merda. Mas, e meu filho? Até quando vai aguentar essa porra de jogo mudando de data e ele se fudendo e não vendo o Palmeiras? Só esse ano é a terceira vez que isso acontece: Bahia (jogo saiu do Pacaembu e foi para Barueri), Fluminense (colocaram o jogo em Prudente; se fosse em Araraquara ele teria conseguido ir) e agora esse.

Ele mandou um recado para vocês:

“Puta que pariu, vocês não podiam pelo menos ter mantido os jogos nos lugares que eram para eles acontecerem e sem mudar as datas? Assim como eu e meu pai, vocês decepcionaram um monte de gente que não pôde ir. Vocês deveriam pensar melhor”.

Henrique Malaia, 9 anos, Palmeirense.

Da minha parte, só mais uma coisa. Coitado do Henrique, ele quer que os diretores do Palmeiras “pensem melhor”. Mas se eles nem pensam…

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Informação

Publicado em dezembro 11, 2012 por em Tensão Pré-jogo.

(Publicidade Gratuita até 20/05/14) #AvantiBasqueteSEP

@ArqPalestrina

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