Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Foi mal, Caio. Palmeiras é assim.

Por João Malaia (@ArqPalestrina; @jmalaia)

foto rasgada

2012 não terminou bem. Podemos dizer que 2013 não começou melhor. Ontem foi nosso segundo jogo em casa na temporada. Segundo jogo com minha presença. O primeiro, fui com o Marcelo Ricci, companheiro aqui do Arquibancada Palestrina e de qualquer arquibancada que o Palmeiras jogue. Ontem, ele não pôde vir de São José dos Campos e eu ia sozinho.

No entanto, eu sabia que tinha um dever de Palmeirense a cumprir. Há um amigo (um irmão) meu, Palmeirense, o Fred. Esse cara é um dos melhores bateras que eu já vi tocar. E o Fred é casado com uma mulher das mais gente-finas que já conheci, a Lu, também Palmeirense. Os dois se casaram faz uns 2 anos. E a Lu tem um filho de 12 anos, o Caio. O Caio sempre morou em São José dos Campos, mas como a mãe dele casou com o Fred, que mora em São Paulo, os dois se mudaram para cá. Uma casa muito legal, lá numa vila do Butantã. Fred e Lu não são Palmeirenses de arquibancada. Fred até já foi comigo em estádio, curte e tal, mas não são fanáticos e nem vão ao estádio.

E o Caio, desde que estava em São José, tinha uma queda pelo Palmeiras. Nem sei para que time o pai dele torce. Nem quero saber. Fred me disse que é bambi, ou santista. Foda-se, não é Palmeirense. A queda do Caio pelo Palmeiras era por conta do Fred e do Tio Silvio, ex-namorado da avó dele.

Com 12 anos, Caio está aqui em São Paulo, com uma queda pelo Palmeiras e passando os domingos em casa jogando X-Box. Dá licença! Tenho um dever a cumprir. Esse moleque é nosso! Primeira providência, lá atrás, antes dele mudar, foi dar uma camisa do Palmeiras, oficial. E ontem, precisava dar o passo certeiro, o número 2: levar o Caio no estádio, em um jogo tranquilo de domingo à tarde, contra um adversário teoricamente mais fraco.

Mas todo Palmeirense de arquibancada que se preze sabe dos riscos que corre, principalmente nesse tipo de jogo. Muitas vezes temos que assistir a Bragantinos, Ferrroviárias, Asas, Goiáses, e a puta que pariu nos tirando o doce da boca. Dane-se! Ontem não dava para ser um daqueles dias. Adversário chumbado, vindo de derrota para o Mogi. Palmeiras vindo de vitória fora de casa.

Antes do jogo, notícias ruins para nosso time. Juninho machucado e nós sem reserva para a lateral-esquerda. Entraríamos com Wendel, aquele que tem história no Palmeiras, improvisado. Souza também estava fora e Denoni entraria no jogo.

“Caio, vamos no jogo do Palmeiras domingo?”

“Bora!”. Foi mais fácil do que eu pensava. O moleque estava louco para ir ao jogo. Minha preocupação com ele era dar, na primeira ida ao Pacaembu, a oportunidade de ver o jogo e o espetáculo da torcida. Não queria levá-lo para o meião da galera, para cantar e pular o jogo todo. Esse é o passo número 3.

Sentamos atrás do gol, na arquibancada verde, mas bem para o centro. Dali, dava para ver a Mancha, a Tup, a Savóia, a Pork’s. E dava para ver legal o jogo. Jogo que começou bem, com um belo gol de falta do Ayrton. Caio vibrou! Ficou louco com o gol.

De repente, o tempo mudou. Uma chuvinha fina passou a incomodar, assim como a Penapolense. Uma bola na mão de Denoni na frente da área e um gol de empate. E o impossível parecia cada vez mais possível. O Penapolense tocava a bola com categoria. Os jogadores dominavam a bola com tranquilidade, tinham tempo para ajeitar uma, duas vezes e depois fazer o passe. Sempre passes curtos, alternados com passes longos e rápidos, nas costas dos nossos laterais. Ramos saía toda a hora para fazer as costas do Ayrton. Em uma dessas, gol da Penapolense. Puta que o pariu. Só de escrever o nome dos caras eu já fico mais puto. Penapolense.

Intervalo. “Caio, agora deve entrar o Valdívia. O time deve ganhar um pouco em cadenciamento e podemos ter mais chances de gol. E pede um dog pro tio ali, ó…”.  Eu já perdi a paciência com o Valdívia, mas precisava dar um ânimo para o menino. E o Valdívia entrou e até que jogou bem. Quer dizer, não é que jogou bem. No primeiro tempo não tinha ninguém fazendo a armação e ele passou a fazer. Em uma jogada, o zagueirão da Penapolense (puta que pariu…) fez falta dura e tomou o segundo amarelo. O primeiro tinha sido por cera. Expulsão. Agora vai!

Mas a chuvinha fina insistia em atrapalhar. E a Penapolense (caralho…) continuava aparecendo na cara do Prass. Os caras é que estavam com um a mais! E a tragédia se consumou. Escanteio para a Penapolense (ah! vá a merda!) e 3 a 1 pros caras.

Olha, a partir daí foi deprimente. A Mancha começou a mandar todo mundo tomar no cu. Primeiro Maikon Leite, depois Luan e depois Valdívia. Foi quando o resto da torcida, ali na verde mesmo, começou a dar o troco. Juro que não vi se foram as outras organizadas que começaram, mas não me pareceu. Era o torcedor comum, mesmo, se revoltando contra nossa maior organizada. Cantaram o nome de Valdívia. Depois cantaram o nome de Luan e depois, em coro “O Mancha Verde, vai se fuder! O meu Palmeiras não precisa de você!”. Depois, o hino do Palmeiras. A Mancha retrucava com “Hei, Amendoim, vai tomar no cu!”. No entanto, dessa vez, não foi amendoim. Foi arquibancada. E depois o resto.

Tentei explicar o que estava acontecendo para o Caio. Primeira vez que ele pisava em um estádio e eu tentando explicar uma treta que tem mais tempo que a vida dele. E como o Luan fez o gol e eu não comemorei, Caio me disse “Pensei que você ia ficar mais feliz…”. Sabia que aquele gol era o prenúncio de mais treta entre a torcida. Uma parte da torcida começou a cantar “Luan! Luan!”. A Mancha retrucava “Ei! Luan! Vai tomar no cu!”. E eu não conseguia explicar mais nada para o Caio. Acho que não conseguia explicar mais nada nem para mim.

Saí do Pacaembu muito triste. E tentava falar alguma coisa entre o Pacaembu e o Butantã, mas não saía nada. Só saiu uma coisa. Logo na saída do portão principal: “Caio, se acostuma, cara. Palmeiras é isso. É difícil mesmo. Viemos em um jogo que era para ser fácil e tomamos 3 da Penapolense. É isso aí, num tem moleza. Não tem ajuda da Rede Globo, Caixa Econômica, Lula, não tem estádio de graça, não tem personagem de novela. Aqui, o buraco é mais embaixo.”

Ao chegarmos na casa dele, entrei para dar um abraço no Fred, um beijo na Lu e voltar para casa. Caio me chamou de lado. “Cara, mesmo com a derrota do Palmeiras, valeu mesmo por me levar no estádio. Foi legal pra caralho.” Etapa 2 cumprida. Ainda temos muitas outras.

E aí, bando de jogador filho da puta, tem jeito de não perder pra Penapolense, o puta que pariu? Tem como dar uma força no processo aqui? Não tô pedindo muito, cacete!

 

 

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Informação

Publicado em janeiro 28, 2013 por em Pós-Jogo.

(Publicidade Gratuita até 20/05/14) #AvantiBasqueteSEP

@ArqPalestrina

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