Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Círculo Vicioso: qual o papel da torcida?

Por João Malaia

Um círculo vicioso. É nisso que se transformou o processo que vivemos hoje como torcedores do Palmeiras. Um círculo vicioso cheio de elementos e difícil, muito difícil de ser quebrado. E na verdade, não é nem um círculo, é uma espiral que cada vez aumenta mais o seu tamanho.

E o pior de círculos viciosos é que é muito difícil explicar qual dos elementos desencadeou o processo e qual deles influencia mais ou menos no aumento do giro da espiral.

A primeira fase desse círculo, pode ser simbolizada assim:

CIRCULO 1

O time começa a perder. Os motivos para isso são inúmeros. Inclusive, podem ser motivos por causas que fogem à nossa compreensão. Os jogadores podem não estar se sentindo bem com o treinador, podem não estar se sentindo bem entre eles, podem não estar felizes com a diretoria, podem não estar comprometidos, podem estar com medo da torcida, da pressão da imprensa, ou seja, n fatores.

O fato é que quando um time começa a perder, a torcida começa a se revoltar. E não existe essa ladainha de que a torcida do time A ou B apóia o tempo todo. Balela. Balela de imprensa gambá de merda. Ou da mídia carioca com o Flamerda. Já repararam que a lenda do time do povo tem junto de si a lenda da torcida que apóia a todo o momento? Tá bom…

Isso não existe. Time perde, torcida se revolta. E tem torcedor que não se contenta em se revoltar dentro do estádio, ou na arquibancada. O cara vive aquilo como ele vive a vida dele. É como quando uma pessoa vai a um centro religioso. A maioria sabe que existe um comportamento ali dentro e outro fora. Se o padre católico diz: “não façam sexo com promiscuidade, só façam sexo para reprodução”, a pessoa de bom senso que quer dar uma trepada, vai lá e dá a trapada, mas usa camisinha. Um fanático não, ele não se desliga do ambiente sagrado. Ele só vai trepar para reprodução, sem camisinha e vai ter uma cacetada de filhos.

No futebol é a mesma coisa. Algumas pessoas entram no estádio e sabem que ali é um local, digamos, sagrado. Um local que permite determinadas manifestações, como xingar seu adversário, o árbitro e a torcida adversária. Dizemos que queremos matar, dar porrada, etc. Mas a maioria, sai do estádio e não quer matar ninguém. No entanto, assim como tem o cara que leva o padre ao pé da letra, no futebol também tem o cara que dentro do estádio canta que mata e que dá porrada e que sai dali e continua naquele modo, no modo fanatismo, querendo bater e matar.

Interessante notar que sagrado, em latim, se diz Fanus. Portanto, a pessoa que sai do ambiente sagrado, passa a ser Pro (fora) Fanus (sagrado): o profano. Mas aquele que não sai do modo sagrado, é o Fanatus, ou o fanático. Pois o torcedor assim se revolta mais, quer fazer algo fora do estádio para melhorar a situação no campo. E além de perder a paciência dentro do ambiente Fanus, o estádio, perde a linha fora dele e passa a meter terror em jogadores fora do estádio.

Isso alimenta o terceiro elemento desse círculo: os jogadores passam a sentir mais a pressão e não rendem em campo. Passam a ter raiva da torcida e mesmo com uma boa atuação, não se sentem à vontade no clube. Não confiam mais 100% em seus companheiros que estão sendo poupados pela torcida. O ambiente começa a degringolar de dentro para fora e os resultados em campo vão apenas piorando o quadro.

Neste momento entra um elemento crucial: a imprensa esportiva. Ávida por explorar as desgraças alheias (vide a tragédia de Santa Maria), passa a fazer programas cuja pauta é a crise: crise entre jogadores, crise da comissão técnica, crise da diretoria, crise na torcida. A imprensa só faz isso porque é isso que as pessoas gostam. Pelo menos a maioria. E aí a exposição amplamente negativa dos jogadores, da comissão técnica e da diretoria começam a influenciar cada vez mais pessoas, trazendo ainda mais revolta para a torcida, que passa a colocar mais pressão nos jogadores, que passam a perder mais.

CIRCULO 2

E a médio prazo, o que vai alimentar mais ainda esse círculo, ou essa espiral, é a entrada de menos dinheiro com patrocinadores, sócio-torcedor e receitas de bilheteria e transmissão de jogos pela televisão. Com muitas derrotas, torcida revoltada, jogadores pressionados e exposição negativa na imprensa, menos dinheiro vai entrar. E menos jogadores de qualidade vão querer enfrentar uma torcida revoltada. E menos possibilidades de montar um time bom. Tudo vai indo por água abaixo.

CIRCULO 3

E o que nós torcedores podemos fazer? Muito pouco. Muito pouco mesmo. Nós somos o sintoma e não o diagnóstico do problema.

Não caiam na balela da GambáPress que o torcedor isso ou aquilo, que ele está prejudicando o Palmeiras. Quem está prejudicando o Palmeiras são aqueles que dirigem uma máquina capitalista de 18 milhões de torcedores como se fosse um boteco de pinguço de esquina.

Não caiam na balela que a torcida daqui ou dali é melhor. Vi nego no Twitter ontem falando que a torcida no interior apóia o tempo todo. Isso é piada! Ou então vem da boca de quem pouco frequenta estádio. Fui três vezes para Araraquara e quem cantou o jogo todo foi nossa maior organizada. Que erra como todo mundo erra.

Ou vocês não se lembram que quem quebrou as cadeiras do Pacaembu ano passado foram exatamente aqueles que se revoltaram contra nossa maior torcida? Foi o tal do “torcedor-comum” que fez a gente ir para Araraquara e Presidente Prudente.

Para esse círculo acabar, não podemos esperar que a torcida passe a apoiar os jogadores com o time perdendo. Com jogador vagabundo e pinguço chegando 3 dias atrasados na reapresentação. Com jogador que não aguenta ser vaiado e pede para sair. Com uma diretoria que não contrata. Para sair desse círculo vicioso, dessa espiral, o time tem que começar a ganhar. E para o time começar a ganhar, a diretoria tem que contratar. A torcida tem que sentir firmeza nos jogadores.

Ameaçar o Capixaba não vai dar em nada. Só aumenta a insegurança e a pressão nos jogadores, algo que nos levará fatalmente a mais derrotas. Mas ter um Capixaba no elenco também não ajuda nada.

O mundo não vai acabar com os fanáticos. Mas aqueles que não são assim podem criar medidas para atraí-los para o lado bom, explorar o lado bom do fanatismo. Como por exemplo, cantar o jogo inteiro pelo time.

Não dá mais para pedir paciência para aqueles que gastam, por baixo, uns 200 a 300 reais por mês para ver o Palmeiras na chuva e no sol, tomando piaba de todo mundo e virando piada. Não dá para falar que tem que apoiar o Palmeiras o tempo todo com o time tomando de 3 da Penapolense que estava com um jogador a menos. O comportamento humano não é assim. Em qualquer situação.

Não cabe a nós, torcedores, batermos em jogador e ameaçar diretor. Se não pudermos vaiar o Luan e o Maikon Leite estamos fudidos. Se não pudermos vaiar um cara que cai na balada direto, não joga e chega 3 dias atrasado na reapresentação de um time grande que foi rebaixado, estamos mais fudidos ainda.

Não vai adiantar. Provavelmente, só vai piorar. Mas alguém tem que saber que chegamos no limite das nossas forças. Não quero bater em ninguém, apesar de às vezes ter muita vontade disso. Mas tá na hora de tomar atitudes. Sou a favor de apoiar o time o tempo todo, acima de qualquer coisa, mas a situação está ficando insustentável. A Mancha já não canta a escalação dos jogadores. E o tal “torcedor comum” também não.

Podem me chamar de louco, mas, por mim, ia ao jogo e ficava de costas. Aliás, toda a torcida deveria ir e ficar de costas. Até algum sinal de que as coisas vão mesmo mudar. E para melhor.

torcida de costas

 

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3 comentários em “Círculo Vicioso: qual o papel da torcida?

  1. Léo 1914
    janeiro 29, 2013

    Fala João.

    O começo do seu texto, falando da espiral, pra mim foi sensacional. Resumiu a merda que acontece de maneira muito clara e simples. Mas depois vc perdeu a mão.

    A torcida precisa mudar a postura, cara. Precisa entender que “é isso que tem pra hoje”, e que se não apoiar vai ser muito pior.

    O próprio Valdivia que vc citou… com a torcida ao lado dele, aplaudindo a cada erro pq sabe que na próxima ele pode acertar, faz o que ele fez em 2008. Ele sendo xingado a cada vez que erra, faz o que fez em 2011/12. Ou vc acha que em 2008 ele não ia pra balada?? O cara torceu o tornozelo e neguinho já reclama. Agora é só ver os jogos e ver o time com ele e sem ele. Te desafio a discordar do fato de que o time sem ele é infinitamente pior do que com ele em campo. E não tem meia no mercado, não tem quem contratar pro lugar. Aí vai da torcida encontrar ele no shopping e dizer “confio em vc, vamos melhorar e ajudar o Palmeiras”, ou mandar ele tomar no cu e dizer que se ver ele na balada vai quebrar a cara dele.

    Sei que essa frase pode soar meio bixa, mas essa é minha questão… muitas vezes os fanáticos não pensam no bem do Palmeiras, pensam no bem do próprio ego.

    Quem põe o PALMEIRAS na frente do ego, apoia o time, engole seco e ajuda a melhorar. Quem se põe a frente do Palmeiras faz isso que vc citou no final do seu texto: diz “EU não aguento mais”, vaia antes do jogo acabar, bate em jogador, etc.

    Se vc acompanha a mídia palestrina já deve ter lido, mas se não deixo aqui dois textos que pra mim descrevem perfeitamente o que o palmeirense deve fazer. Seja no sofá, como alguns, seja na arquibancada, como nós.
    http://www.verdazzo.com.br/verdazzo/pacto-geral-pela-reconstrucao-do-palmeiras
    http://www.3vv.com.br/index.php?option=com_k2&view=item&id=6386:corneta-do-cunio-entendeu?-ou-quer-que-eu-desenhe?&Itemid=10

    Abs.

    • arquibancadapalestrina
      janeiro 31, 2013

      Léo, muito boa sua crítica. Eu concordo com vc na maioria dos aspectos, principalmente que o time com o chileno joga muito mais. Eu já havia lido os textos e eu, particularmente, nunca vaiei o time antes do apito final, nem nunca xinguei jogador ou técnico antes do fim do jogo e fico deprimido com isso.
      Só que eu entendo quem não aguenta mais. Entendo a frustração da pessoa que dá a vida pelo clube e vê os jogadores na balada.
      Eu não bato em jogador e também não defendo quem bate. Meu ponto é que as coisas estão chegando em um limite perigoso para o Palmeiras e para sua torcida. Hoje estarei no jogo. Apoiando 100%, como sempre. E espero que todos estejam lá assim também. Caso contrário, será triste. De novo. Mas eu vou entender a reação.

  2. Henrique Rodriguez
    janeiro 30, 2013

    Cara, concordo plenamente, tm muito nego ai que nem vai no estadio e vive flando merda, e nessa merda que esse torcedor diz tem grande parcela de culpa a merda de imprensa de gambá do caralho, mas enfim nao adianta a torcida ficar “se tretando” o jeito é esperar pra ver oque essa nova diretoria vai fazer, mas tem que ser logo!

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Publicado às janeiro 29, 2013 por em Quando a bola não rola e marcado , , , , .

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