Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Uma noite inesquecível: a Taça Libertadores obsessão

Por João Malaia (@ArqPalestrina , @jmalaia)

14 de fevereiro de 2013. Um dia que ficará marcado na minha vida. E que também ficará marcado na vida do meu filho, Henrique. Acho que alguns de vocês já conhecem o Henrique. Ele tem 9 anos e já foi inspiração para muitos posts deste blog, aliás, um deles, foi o primeiro post a ser lido por centenas de pessoas: “O maior Palmeirense que já conheci“. Outro que vale a pena ler para conhecer melhor esse Palmeirense doente, fala sobre a penúltima vez que estivemos juntos no estádio: contra o Fluminense, ano passado, no Engenhão.

Henrique também já protagonizou uma cena que ficou famosa nas redes sociais durante o carnaval. Tiramos uma foto de um banner do Palmeiras que tinha uma foto do Barcos. Henrique, meu ídolo, mandou logo o FUCK YOU para ele. Ato que pedi para ele repetir para que eu pudesse registrar e compartilhar com nossos parceiros de Twitter e Facebook. Se você não viu…

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Até dia 14/2/2013, Henrique estava começando a acreditar que era pé frio. Ele havia estado presente em seis partidas. Contra o Mirassol, em 2008, no Palestra, 1 a 1. Três vezes em São Januário: dois empates e uma derrota. Uma vez contra o Botafogo, no Engenhão, 1 a 1. E a derrota contra o Fluminense ano passado. E eu tinha que tentar explicar que ele não podia se sentir assim, que era uma mera coincidência. Lembrar a ele que eu passei a adolescência sem ver título e tantas outras coisas que um pai tem que justificar para um filho quando se trata da verdadeira pedagogia palmeirense.

E prometia para o Henrique – e depois rezava duas horas seguidas para os deuses do futebol – que a vitória que ele veria do Palmeiras seria especial. Seria inesquecível. E a oportunidade apareceu.

Agora que estou definitivamente em São Paulo, não vejo mais o Henrique todo dia. Aliás, posso dizer que isso é como um pedaço de mim que está faltando. E o Henrique veio para cá passar o carnaval comigo. Inicialmente, voltaria na 3a feira para o Rio. Mas me pediu para ficar mais e dei um jeito com o trabalho para curtir mais uns dias com o filhote. E eis que quinta-feira, dia 14/2/2013, meu filho estaria em São Paulo comigo e o Palmeiras estrearia na Libertadores. Time remendado, sem confiança, parte da torcida meio cabrera. Situação arriscada, mas que em nenhum momento sequer coloquei em causa a possibilidade de não levá-lo ao estádio.

Seria a estreia dele em uma Libertadores. Pela primeira vez ele sentiria um estádio pulsando, vibrando com o Palmeiras. Contra o Mirassol, o Palestra estava cheio. Mas não era Libertadores. No entanto, não era apenas a estreia do Henrique na Libertadores. Acreditem: era também a estreia do meu amigaço Marcelo Ricci, que toca este blog, o Twitter e o Facebook do Arquibancada Palestrina.

Marcelo é um cara sensacional. Para quem não sabe, ele foi meu aluno no Ensino Médio. Hoje, cursa História na USP, assim como eu fiz na década de 1990. E desenvolvemos vários projetos juntos de história do futebol e claro, este blog. Além disso, vamos em praticamente todos os jogos do Palmeiras juntos. Portanto, uma noite muito especial.

Mas antes da Libertadores, o Palmeiras pegava o Vila Velha no Palestra, pela 1ª divisão do basquete nacional. Eu adoro basquete, cresci em São José dos Campos vendo o Tênis Clube, de Ubiratam, Zé Geraldo, Carioquinha, Nilo, Marcelo Vido, Pipoca e tantos outros, não só jogar e ser campeão, mas via os caras treinarem todo dia. Ou seja, é uma outra paixão. E eu tive que levar o Henrique antes.


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Infelizmente, o jogo não foi dos mais emocionantes. Mas dos males o menor: o Palmeiras ganhou. Foi apenas a 4ª vitória em 21 jogos. Prenúncio de uma boa noite? Talvez. Estava confiante, mas com nosso Palmeiras, nunca se sabe. Saímos do ginásio no começo do último quarto, com o jogo bem encaminhado. Táxi, correria para o Pacaembu, para encontrar o Marcelo. Já eram 21h40 e o o jogo começava às 22h. Chegamos no estádio, Marcelo já nos esperava há quase uma hora.

Quando chego lá, lembrei: esqueci a identidade do moleque. E agora? Ele não tinha ingresso, tem 9 anos. Tremedeira, suor frio. Chegamos na bilheteria. Vou falar com o cara dos ingressos gratuitos. “Cara, pelo amor de Deus (nessas horas é sempre bom usar Deus e escrever aqui em letra maiúscula; yo no creo en las brujas, pero …)!! Meu filho tem 9 anos, mas eu esqueci a id…ide….idnet…..identidade dele. O que eu faço, cara?” O rapaz me abriu um sorriso: “Vai lá, cara!”. Ufa!

Lá dentro, ficamos ao lado da Mancha, em um lugar que o Henrique pudesse ver o jogo. E aí, meus amigos, aí todo mundo já sabe do resto. Palmeiras 1 a 0, alegria total. Sporting Cristal 1 a 1, terror, pesadelo, tensão. Ali, tudo voltou. Eu mesmo comecei a pensar, por um instante apenas, no que iria falar para o Henrique. Não sei se ele pensou nisso também. Só sei que em atitude, ele não se abalou.

Com meu bonezinho da Mancha, ora para frente, ora virado para trás, em pé os 90 minutos, cantando todas as músicas que sempre cantei com ele todos os dias indo ou voltando da escola, algo que, infelizmente, não tenho mais oportunidade de fazer. De costas para mim, estava 200 vezes mais ligado no jogo que eu. E, como sempre, muito, mas muito palavrão.

Henrique me disse, logo que chegou a São Paulo, no domingo de carnaval, quando soube que ia no jogo: “Pai, a primeira vez que falei um palavrão no estádio tive uma sensação de liberdade tão grande, tão boa… todo mundo deveria experimentar isso!”. Realmente, isso não tem preço.

E a torcida, como sempre, mesmo com o empate, partiu para cima dos peruanos. Começamos a cantar mais alto e os jogadores alimentavam a arquibancada com uma correria louca e carrinhos a todo instante. O Henrique era alimentado pela massa e gritava, berrava, pulava. Havia uma menina no degrau abaixo dele que não parava de olhar e dizer para a amiga ao lado “Ai, que bonitinho”, a cada vez que o Henrique mandava uma saraivada de palavrões em direção ao árbitro, aos bandeiras ou aos peruanos.

Em dado momento, Henrique pergunta para o Marcelo: “Marcelo, você trocaria algum palavrão seu no estádio pela vitória do Palmeiras?” querendo saber se ele poderia fazer algum tipo de troca com os deuses do futebol: deixaria de falar palavrão em troca da vitória do Palmeiras.

Aliás, o jogo era muito tenso. Os peruanos atacavam sempre e nossos jogadores se desdobravam na defesa. Vilson estava em todo lado. E de repente, uma bola sobra perto da pequena área área Patrick Vieira. Uma bomba, a bola na nossa direção. Se não tivesse rede, iria explodir na gente.

Aí amigos, nem sei mais. Abracei meu pequeno e chorei igual criança. Marcelo tava ali abraçado com a gente. Chorava abraçado a ele também. Era demais para mim. Estava provado para Henrique que para nós, a Taça Libertadores é obsessão. Tem que jogar com raça e coração. Estava provado que cantamos e somos Palmeiras até morrer.

Ele sentiu que a torcida do Palmeiras é a torcida que canta e vibra. Tentei tirar fotos dele, mas o moleque não parava de pular e cantar. Mesmo assim, aqui estão as fotos dele na comemoração.

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Ao fim do jogo, ele e Marcelo na frente do Pacaembu.

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Dá para esquecer uma noite assim? Dá para não ser completamente apaixonado e amar sem limites esse menino maravilhoso?

Dá para acreditar que a vida pode nos brindar com um filho assim e com um amigo como o Marcelo?

Dá para pensar na vida sem esses momentos? Sem o Palmeiras para nos dar oportunidade de provar e sentir tantas emoções ímpares?

Há que se aproveitar o momento. E se posso dar uma dica, busque a felicidade plena em momentos simples da vida como esse.

E depois, agradeça aos deuses do futebol.

 

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Informação

Publicado em fevereiro 20, 2013 por em Pós-Jogo.

(Publicidade Gratuita até 20/05/14) #AvantiBasqueteSEP

@ArqPalestrina

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