Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Mais uma aula de Palestrinidade: a vitória pela camisa

Por João (texto) e Marcelo (estatísticas e mídia) – @ArqPalestrina

Enterrada de Marcão!

Enterrada de Marcão! Foto Fabio Menotti.

Já cansamos de ler as notícias dos sites dizendo “já virou rotina” por conta das vitórias do Palmeiras em casa no basquete. Não cansamos de ver o Palmeiras atropelando seus adversários no Palestra. E o que dá orgulho, orgulho mesmo, é ver a nossa torcida azucrinar os adversários a tal ponto que chega a desestabilizá-los. Hoje foi mais uma noite dessas. Uma noite que o adversário, ao final do jogo, pediu arrego para a torcida. O caminho até esse momento épico, em que jogadores e técnicos adversários vieram até nós e nos parabenizaram por infernizá-los, contamos agora.

O que o Palmeiras jogava essa noite? A vaga nos playoffs? Não. A fuga do rebaixamento? Também não. Se fosse um time qualquer, uma camisa qualquer, o jogo não valeria nada. Mas quando se trata de Palmeiras, senhores, qualquer jogo, de qualquer modalidade vale a vida. E hoje não seria diferente. Nosso sonho é que estivéssemos disputando uma vaga nos playoffs, mas não deu. Paciência. Vamos pela camisa.

O jogo começou muito apertado, com os times parelhos, ponto a ponto. A pugna do pessoal que fica atrás do banco do adversário começou desde a primeira bola. A gente fica ali fazendo nosso papel de torcedor, tudo dentro da maior regularidade. A gente xinga os caras, assovia, canta “Palmeiras”, durante o tempo técnico e intervalos ficamos na orelha dos caras buzinando sem parar, enfim, normal.

Em um momento tenso do jogo, dois jogadores do Joinville, Ricardo e Vinícius Teló, tretaram em quadra e foram separados pelo armador Victor. O técnico deles pediu tempo. Durante o tempo, fiquei gritando “Aí, time tá tretando! Ô Ricardo, mete logo um soco na cara desse Teló folgado! Brincadeira, o Victor é que teve que separar vocês?” E o jogador Renato, o Soró do Joinville (para quem não sabe, ou não lembra quem é o Soró, clique aqui), começou a rir do banco. Sinal de que estávamos no rumo certo.

De repente, uma bola dividida entre Lino e Victor. O baixinho armador deles, que vinha jogando muito, não quis largar a bola e uma confusão começou. E inflamou a torcida. O pau quase comeu na quadra e Victor estava muito nervoso. O técnico do Joinville sacou Victor, que veio puto em nossa direção.

É óbvio, que sendo o causador do tumulto, levou uma saraivada de impropérios por parte da torcida. Ele veio, pegou um copo de gatorade, ou sei lá o que é aquilo, e virou para nós fazendo aquele sinalzinho abrindo e fechando a mão ao lado do ouvido, tipo “fala mais”. Aí, pediu, né Victor? Não se faz isso com a torcida do Palmeiras.

Acho que os jogadores dos adversários não sabem, até jogar aqui uma vez, que aqui “o bagulho é diferente”. Aqui é Palmeiras, meus amigos. E ali é a nossa casa. A NOSSA CASA. Pediu, Victor, levou.

E foi isso que ele ouviu. Que pediu, então que ia ser a pior noite da vida dele. E confesso, perdi parte do jogo xingando o maluco de tudo o que se pode imaginar. Mas o pior para ele, foi que apesar de ele estar jogando bem, o time acertou sem ele e começou a jogar mais próximo ao placar, nos passando em algumas oportunidades. “Professor! O Victor é uma âncora! O time está melhor sem ele” E assim fomos até o fim do primeiro tempo.

Enquanto Lino tenta a cesta, eu tô na orelha do "Vitinho". Foto Fabio Menotti

Enquanto Lino tenta a cesta, eu tô na orelha do “Vitinho”. Foto Fabio Menotti.

No segundo tempo, continuamos com nossa saga. E o alvo era Victor, agora “Vitinho”. Em pouco tempo, a galera já sabia que ele era o “Vitinho”, que havia jogado no Paulistano e que sua família estava no Palestra. Souberam mais, que o irmão do “Vitinho”, que estava presente, já tinha arrumado confusão no Palestra em anos anteriores.

E aí começamos a pesar ainda mais na do moleque. O Palmeiras ia abrindo uma pequena vantagem e Victor, de volta à quadra, voltou a comandar as ações do jogo. A galera que fica com a gente do nosso lado esculachou o cara. Vitinho teve seu dia de Rinaldo (lembram dele?).

O Joinville começou a se aproximar no placar, a torcida passou a cantar mais alto, mas “Vitinho” converteu sua quinta bola de três pontos empatando o jogo. O Palmeiras conseguiu fazer dois ataques seguidos e abriu quatro pontos, faltando cerca de 3 minutos. Bola na mão de Victor, para três pontos e o armador sofre falta de Brown. Três lances livres para “Vitinho”.

O setor arás da sexta aonde”Vitinho” tentaria os três lances estava interditada. Rapidamente, Marcelo puxou meu braço e falou: “Vamos para trás da cesta”. Nem pestanejei. Fui em direção aos três seguranças do Palmeiras que estavam ali e pedi: “Deixa a gente ficar ali só para encher o saco desse FDP”. Com um sorriso nos lábios, os seguranças abriram o setor e lá fomos nós dois alucinados para lá.

Eu com meu cachecol, gritando e pulando. Marcelo, do meu lado, pulando igual louco e berrando. O cara estava com 5 bolas de 3 pontos e mais 4 bolas de  2 pontos. Primeiro lance: errou. O cara olhou para o Marcelo. Tremeu. Alucinamos mais ainda. Segundo lance: errou de novo! Piramos de novo! Foi demais! Nem quisemos saber que ele acertou o terceiro. Voltamos para nosso lugar, sob os olhares e sorrisos dos seguranças e da galera, orgulhosa de nossa participação.

Mas ainda não havia acabado. O time estava jogando demais. O ginásio pegando fogo. O  Joinville voltou a crescer. E voltou a empatar, faltando 20 segundos. Desculpem agora se os fatos estão embaralhados, mas nessa hora estávamos em pleno exercício da função torcedora. Cesta para o Palmeiras faltando 3 segundos. Joinville erra a saída de bola, Artur Pecos rouba a bola e faz mais dois pontos. Fim de jogo? Não. Tyrone e um jogador do Joinville se envolvem em uma pequena confusão e é falta para o Palmeiras. Vitor reclama com a arbitragem e, claramente nervoso, recebe uma técnica. Palmeiras faz mais dois pontos e elimina os caras dos playoffs.

É “Vitinho”, apesar de você ter feito uma excelente partida, você provocou. E ao final, ainda com os ânimos exaltados, cobrei dele “Provocou, mano! Aqui é Palestra!” E não é que o cara se aproximou e disse: “Pô cara, acabou o jogo já. Pode parar. Vocês estão de parabéns. Hoje foi foda, cara. Desce aí que quero falar com você”.

E eu desci. Falei para ele: “Cara, você provocou e aqui é Palmeiras. Não pode nos provocar”. E ele, muito sincero, mandou: “Cara, eu provoquei mesmo, porque só jogo assim, só sei jogar com nego me cornetando. Sou assim. Mas foi foda, não achei que ia ser o jogo todo. Vocês estão de parabéns.” Um sorriso, um aperto de mão sincero e cada um segue sua vida. Nesse quesito, Victor deu uma aula em Rinaldo, técnico do LSB. Não só Victor, como praticamente todos os jogadores do Joinville se resignaram e acharam totalmente válido a nossa torcida.

O técnico-auxiliar do Joinville chamou o Marcelo: “Cara, parabéns! Vocês foram muito bem. Pena que no Joinville a gente não tem uma torcida como essa, que apoia o jogo inteiro. Lá, eles assistem ao jogo sentados e não torcem como vocês, de verdade, sabe?. Quando estamos perdendo, somos vaiados pela nossa própria torcida. Aqui o apoio é incondicional. Parabéns!”

Olha, para quem acredita no que nós acreditamos, que a força da arquibancada, da torcida, tem influência direta no comportamento dos jogadores e no resultado de uma partida, ouvir isso é tudo.

E depois da partida fomos cumprimentar nossos jogadores.

Wiggins, com o já tradicional “Go Cougars!”.

Cumprimentamos Pecos, Marcão, Scaglia, Jordan. Mas o que foi mais legal mesmo, foram essas duas entrevistas que pegamos com Tiagão e com Caleb Brown.

O primeiro vídeo foi uma rápida conversa com Brown. Reparem no que Brown falou sobre a diferença entre jogar para uma torcida nos EUA e jogar para a torcida do Palmeiras. Agradeço aqui à minha mãe por ter me dado muito cascudo e me obrigado a ir nas aulas de inglês na infância. Assim, não passo vexame como o Rinaldo “Open English”.

O segundo vídeo foi feito com  ajuda de Felipe Turlão. Por favor, vejam com atenção esse vídeo e as declarações de Tiagão. Lindo demais.

Quanto às atuações, todos muito bem mais uma vez. Marcão continua sendo a maior surpresa nesta recuperação. Confiante, está dominando o garrafão. O trio norte-americano só falta fazer chover. São rebotes, tocos, assistências e enterradas incríveis de Tyrone e Wiggins. Tyrone fez 11 pontos, pegou 3 rebotes e deu cinco assistências. Wiggins foi o cestinha do Palmeiras com 20 pontos, pegou 5 rebotes e deu 3 assistências. Fora o show de enterradas:

Wiggins' Slam! Go Cougars! Foto: Fabio Finelli.

Wiggins’ Slam! Go Cougars! Foto: Fabio Finelli.

Tyrone's Slam: From another planet! Foto: Fabio  Menotti.

Tyrone’s Slam: From another planet! Foto: Fabio Menotti.

Brown tem uma habilidade que é sacanagem. Artur Pecos também fez bem o papel de sexto homem do time, com 11 pontos.

Caleb Brown: Real Palmeiras Magician. Foto: Fabio Menotti.

Caleb Brown: Real Palmeiras Magician. Foto: Fabio Menotti.

Tiagão, impressionante mais uma vez, com rebotes e sextas de três pontos. É o xerife do time. Fez 17 pontos e seis rebotes.

Tiagão: o xerifão do Palmeiras. Foto Fabio Menotti.

Tiagão: o xerifão do Palmeiras. Foto Fabio Menotti.

Scaglia também entrou muito bem e converteu três bolas seguidas de três pontos. Não contente, ainda fez mais uma cesta de dois , marcando um total de 11 pontos para nós.

Scaglia foi um dos destaques do Palmeiras. Foto Fabio Menotti.

Scaglia foi um dos destaques do Palmeiras. Foto Fabio Menotti.

Comentei com o Marcelo na saída do Palestra: “Esse é o lugar que me sinto melhor no mundo, melhor que na minha casa. Eu alucino aqui dentro, bro. Esqueço que sou professor, esqueço da vida e assumo tudo pelo Palmeiras. Eu amo isso aqui Marcelão.” E ele: “Graças a Deus, eu também”.

E sábado estaremos lá de novo. Prepare-se, leve seus filhos, seus amigos, por que faremos a mais bonita festa já realizada neste NBB. Com a ajuda da Vanessa, Diego e tantos outros, uma linda festa em homenagem aos nossos jogadores está sendo preparada. E vamos abraçar nosso time com todo o carinho de um Palestra lotado em busca da 9ª vitória seguida em casa.

Tabela Vitórias

Vitórias consecutivas em casa

E a partir de agora, jogando em casa, sabemos que podemos ganhar de qualquer um. Que somo quase imbatíveis. Que entramos em quadra com seis jogadores.

Para finalizar, apenas uma estatística interessante. “Vitinho” tem uma média impressionante de acertos em lances livres, 71% em todos os jogos da NBB. Em 30 jogos, conseguiu 100% de aproveitamento em 11 deles, sendo que em um conseguiu 12 em 12. Hoje, Vitinho teve seu quarto pior aproveitamento em sua carreira na NBB. Acertou apenas um lance em três. Em um momento decisivo do jogo. Tremeu?

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8 comentários em “Mais uma aula de Palestrinidade: a vitória pela camisa

  1. Kleber M
    abril 5, 2013

    O que não dá pra acreditar é que estas entrevistas são feitas por torcedores…. e não pelo próprio clube! Isto deveria estar no portal do clube! Acorda Paulo Nobre!!!!!

  2. Léo Souza
    abril 5, 2013

    Eu não gosto de basquete… mas só pelos seus relatos eu to quase indo lá torcer também. Palmeiras é isso!

  3. julio cesar
    abril 5, 2013

    Meu que me perdoem pelo que irei dizer ,eu sou torcedor fanatico pela Sociedade Esportiva Palmeiras,se tiver disputa de par ou impar e eu ficar sabendo irei torcer pelo meu verdão……

  4. Leonardo
    abril 5, 2013

    Vcs não imaginam o quanto é bom vestir essa camisa sabendo da dimensão desse clube e dessa torcida. Pode ter certeza que não só o Tiagao mas todos os jogadores em todas as categorias do basquete palmeirenses são muito gratos a vcs e só quem joga sabe a diferença que essa torcida maravilhosa faz!! Incentive os amigos palmeirenses,os familiares e a quem conhecerem para ir nos jogos do basquete,RAÇA jamais vai faltar,isso eh PALMEIRAS!!!!!

    • arquibancadapalestrina
      abril 5, 2013

      Leonardo, muito, mas muito obrigado pelas suas palavras. Ficamos emocionados e teremos mais gás ainda para cantar e vibrar o jogo todo.

  5. Fernando Quirino
    abril 10, 2013

    Eu achava que o Conrado escrevendo sobre futebol era o melhor, mas vc no basquete é espetacular.

    Destaque especial para o pós-jogo com os cumprimentos entre torcida e time adversário. Palmeiras é inexplicável, tem que participar para entender.

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Informação

Publicado em abril 5, 2013 por em Basquete Palmeiras.

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