Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

No futsal, cada jogo é a vida: Palmeiras 3 x 1 Wimpro

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Texto: João Malaia. Fotos: Marcelo Ricci

Hoje foi mais uma noite daquelas! Teve de tudo: teve vitória apertada, teve muita raça de um time do Palmeiras muito desfalcado, teve gol do Japa, teve briga entre os jogadores e teve até jogador do time adversário que saiu escoltado pelo Choque da PM. Vamos contar mais um episódio de amor pleno ao Palmeiras proporcionado pelas modalidades que atuam dentro do nosso ginásio.

O time de futsal do Palmeiras, apesar das notícias que foram propaladas por José Carlos Brunoro, colocou na cabeça que a única maneira deles pressionarem a diretoria é ganhando, é conseguindo vitórias e, quem sabe o caneco da Liga Paulista. Os jogadores sabem que essa pode ser uma história daquela de filme norte-americano, bancado pelos estúdios Disney. A história de uma equipe que sabe, de alguma maneira, que sua única chance de continuar viva é vencendo. E foi com esse espírito que nossos jogadores entraram em quadra hoje: Renan, Bruno, Ítalo, Tete, Dengue, Luiz Henrique, Murilo Japa, Renatinho, Jhow e Erick. Com apenas 10 atletas, o Palmeiras foi à quadra para jogar pela sua vida, pela sua história e, claro, pela sua torcida.

Dez homens. Só uma possibilidade: a vitória. Renan, Bruno, Ítalo, Tete, Dengue, Luiz Henrique, Murilo Japa, Renatinho, Jhow e Erick.

Dez homens. Uma só possibilidade: a vitória. Renan, Bruno, Ítalo, Tete, Dengue, Luiz Henrique, Murilo Japa, Renatinho, Jhow e Erick. #AvantiFutsalSEP

O jogo começou muito truncado, com as equipes perdendo muitos gols. Quase na metade do 1º tempo, em uma jogada trabalhada, a bola sobrou para Murilo Japa, que abriu o placar na Arena. Um gol muito comemorado e merecido, pois o Japa, além da dedicação nos jogos e treinos, tem uma baita vibração com a torcida. E aí a pressão no Wimpro passou a ser mais forte ainda.

Olha, já vi jogador ficar nervoso e perder bola com vaias e assovios. Mas hoje foi demais. Talvez, por que nossos jogadores marcaram como se tivessem defendendo um prato de comida. O que na verdade estão fazendo mesmo. E a Wimpro não conseguia jogar. Errava muitos passes de saída de bola, errava os lançamentos, as jogadas não saíam e a pressão em cima deles só aumentava.

Incrível como os jogadores do Palmeiras parecem ser movidos a torcida. Quanto mais a gente faz barulho na bancada, mais eles correm. E foi numa bela roubada de bola que Dengue conseguiu fazer o 2 a 0, no finalzinho do primeiro tempo. Dengue mordeu o escudo e veio comemorar junto da galera na torcida.

Com o fim do 1º tempo e o 2 a 0 no placar, o 2º tempo parecia que ia trazer um descanso para a torcida. Ledo engano.  A Wimpro veio com tudo para cima da gente. E rapidamente conseguiram fazer o 2 a 1. Erick passou a sr bombardeado de todos os lados e fazia defesas espetaculares. O time do Palmeiras teve várias chances de matar o jogo, mas algo parecia acontecer com a bola e as pernas dos jogadores em frente ao gol dos caras. A Wimpro colocou goleiro linha. Em outros momentos, o próprio goleiro também se arriscou no ataque. Mas não dava. Os jogadores se desdobravam, se multiplicavam ao som das vaias e dos assovios desvairados da galera que ali acompanhava. A torcida se transformava em um sexto jogador, rasgando todas as bolas, atrapalhando a concentração do adversário para que nossos jogadores pudessem suportar a pressão e em um erro deles, matar o jogo.

Erick: lindas defesas garantiram a vitória do Palmeiras

Erick: lindas defesas garantiram a vitória do Palmeiras

A torcida entendia o recado dos caras e vaiava, gritava, assoviava agudo demais e os jogadores da Wimpro começaram a errar bolas bobas. E nós berrávamos mais alto, mais forte: “pressão! pressão neles! ôôôô! ôôôô! pressão! pressão! errou! erou!”. E em uma bola espirrada dessas, faltando dois minutos para o fim do jogo, Luiz Henrique fez o 3 a 1. Delírio!

A Wimpro continuava muito nervosa e aí aconteceu o episódio lamentável no Palestra. O jogador Ulysses, do time deles, não aguentou a pressão. E há que ser dito: não aguenta pressão de torcida, meu chapa, desiste de ser atleta profissional. Todo atleta gosta de encher a boca para dizer: já joguei no ginásio do Palmeiras. Então, deve aguentar a pressão. E ali no Palestra, pressão é o nosso nome do meio.

Em uma jogada na lateral, em frente ao banco do nosso time e em frente ao grupo mais alucinado de torcedores, esse tal de Ulysses, que só sei o nome por que está nas costas da camisa, passou por todos e deu aquela famosa escarrrada em plena quadra do Palestra. Meus amigos, pra que… O cara não tem noção do que fez. E mais uma vez, fez algo que mostra que ele não tem condições de ser um atleta profissional. Cuspir na quadra do adversário? Em terreno sagrado de Palestra Itália? Não, senhor. E o tal Ulysses não imaginou o tamanho da merda que fez.

Na sequência da jogada, a Wimpro ganhou escanteio e Ulysses foi pegar a bola, logo depois da cusparada. O primeiro a colar nele foi nosso goleiro reserva, Bruno. Já foi ali e ficou no ouvido do cara. “Você é louco, meu irmão? Perdeu a noção? Perdeu o respeito?” Ou algo parecido. Não dava para ouvir por que todo mundo caiu no cara e o Bruno falava baixinho no ouvido do cidadão. Murilo Japa chegou também e depois Erick. Junto do alambrado, podíamos ouvir os jogadores do Palmeiras cobrando o cara. A torcida ficou ensandecida. Os jogadores do Palmeiras não se conformavam com a cusparada. “Aqui não, seu moleque! Seu filho da puta! Aqui, não!” berravam alguns dos jogadores, enquanto Bruno falava cada vez mais baixinho ali no “pédovido”.

A torcida ficou louca. Lamentável, Ulysses. Você tem nome de herói grego e agiu como um maloqueiro. Não honrou seus pais que te deram um nome tão proeminente. Aliás, você deve ser um gambá de merda que nem sabe quem foi Ulysses.

Nos dois minutos finais, a cada bola que o Palmeiras ganhava, os jogadores berravam na orelha do Ulysses “Boooooooooa! Vamos, Palmeiras!!!” Vamos!!!!” com olhos arregalados, dando bico para todo lado, para mostrar para ele quem mandava ali. O tempo se esgotou e a vitória parecia uma final de campeonato. Jogadores pulando e se abraçando. Pessoal na bancada descendo para abraçar os atletas. Ítalo, chamou minha atenção. Veio até aonde estávamos já segurando nosso escudo e dizendo, com cara de raiva: “Aqui é Palmeiras! Aqui é Palmeiras, pô!!”. Todos de punho cerrado, de cara fechada, de semblante triunfal. Nada mais Palmeiras. Depois, todos eles e agradeceram o apoio da torcida. Não precisa agradecer, galera: é nossa obrigação.

Vejam aqui as declarações de Erick, nosso goleiraço, palmeirense e que luta pelas nossas cores como poucos:

Depois do jogo, o auxiliar técnico da Wimpro veio nos pedir desculpas pela atitude de Ulysses. Cumprimentei o cara, mas disse que não era ele que deveria pedir desculpas. Quem me conhece, sabe que para mim, acabou o jogo, acabou. A não ser que o cara faça algo muito grave, tipo… cuspir no chão de um recinto que considero sagrado. Por isso, fiquei ali no ginásio mais um pouco. Não para bater em ninguém, pois sou da paz. Mas para ver se o Ulysses era homem e viria pedir desculpas, dizer que estava de cabeça quente, sei lá.

Eis que o morfético sai do vestiário e pediu para o Choque protegê-lo. Não sei se foi ele ou alguém da comissão técnica. Ele saiu do vestiário e ficou um pouco na quadra, esperando a Kombi (isso mesmo, a Kombi) entrar no Palestra e um efetivo de uns 20 PMs do Choque fazerem a segurança do rapaz. Do outro lado da quadra, eu e o Caio começamos a falar com ele: “ninguém quer te bater, não Ulysses, mas você é um palhaço! Não se cospe na casa dos outros!” e tantas outras coisas que, com o ginásio vazio, ficam muito claras. Fomos para a saída e quando o Ulysses apareceu, rodeado por policiais, foi a vez de tirar um barato dele e dizer que ele pediu arrego, que estava fodendo a noite dos PMs, que já deveriam estar em casa e estavam ali dando proteção para um vagabundo.

Ele dava aquela risadinha amarela, um sorriso meio disfarçado, com uma cara de cu do cacete. A PM fez a sua parte e, com aquela educação peculiar, disse que se a gente não saísse de perto ia todo mundo para o DP. E com aquela voz de filhote da ditadura militar, um dos caras, de cassetete na mão dizia: “a manifestação acabou”. É foda, os militares e reacionários não sabem que manifestação é um manifesto da ação. Faz-se a hora que se quer. Não é um PM que vai dizer: “acabou a manifestação”. Resquícios de um país que viveu uma ditadura militar amplamente apoiada por setores da elite e da classe média.No entanto, o que fica desse jogo não é a cusparada do Ulysses, nem a prepotência do policial que deve se lamentar todo dia não ter vivido na ditadura para poder “dar um jeito nos manifestantes”.

O que valeu nessa noite foi ver de novo o amor e a garra que esses atletas vestem nossa camisa. Foi ver o Bruno colar no cara e o segurança ir na orelha do vagabundo e dizer: “isso não se faz amigo, você tá louco?” Foi ver a galera toda lá no ginásio, mais uma vez, apoiando o futsal pelo Palmeiras, sem interesses, aliás com um só interesse: o Palmeiras. Foi ver a molecadinha atrás do gol do Erick, gritando “Puta que o pariu! É o melhor goleiro do Brasil! Erick!” Foi ver que esses caras nos ajudam a fomentar a palestrinidade dentro de cada um, que eles são peças fundamentais na construção de um Palmeiras cada vez maior.

Qualquer pessoa, em sã consciência, que viu o que eu vi hoje, jamais ousaria defender o fim dessa modalidade em nosso clube. Quem visse os nossos atletas, quem nem sabem do seu futuro no clube, defenderem cada bola como se fosse a última, jamais ousaria. Quem visse o Valmir, nosso técnico, dizer que se sente lisonjeado e orgulhoso de uma torcida como a nossa, jamais ousaria. Quem visse o Ítalo, ao final do jogo mostrando o símbolo e gritando “Aqui é Palmeiras!”, jamais ousaria. Quem visse o Dengue comemorando o gol junto da torcida, mordendo o símbolo da camisa, jamais ousaria. Quem visse o Bruno colar no Ulysses no escanteio para defender nossas cores, jamais ousaria. Quem visse nossas crianças no ginásio delirando com cada carrinho, cada defesa do Erick, cada marcação bem feita, jamais ousaria. Quem torce e faz a pressão que nós fazemos nos adversários e sente o prazer de ver um jogador olhar no seu olho e dizer “conseguimos a vitória com a ajuda de vocês”, não apenas não ousaria.

Entenderia a luta.

#AvantiFutsalPalmeiras

Não vamos desistir. Jamais. Por vocês. Pelo Palmeiras. Por nós.

_______

#AvantiFutsalSEP

#AvantiFutsalSEP

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Um comentário em “No futsal, cada jogo é a vida: Palmeiras 3 x 1 Wimpro

  1. claudio longo
    maio 12, 2013

    Boa tarde a todos, estive na quadra , acompanhando o jogo e a bela vitória por 3X1 , mas como é peculiar o comportamento de visitantes sempre causam polemica, lembrando que quando o Palmeiras visitam as quadras adversarias, o comportamento da “Policia Militar´´, é de evitar que sejam sempre agredidos os donos da casa mas a realidade é sempre contraria, com atitudes covardes, onde o tal Policiamento preventivo torna-se truculento , aliando-se as inúmeras agressões verbais e físicas tanto a atletas como a torcedores, um fato que creio seja diferente em nossa Nova Casa, a ALLIANZ PALMEIRAS, vamos aguardar! SEMPRE PALMEIRAS!

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Publicado às maio 11, 2013 por em Futsal Palmeiras e marcado .

(Publicidade Gratuita até 20/05/14) #AvantiBasqueteSEP

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