Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Fita cobrindo patrocínio antigo ao vivo para o Brasil: gestão profissional?

Por João Malaia (@jmalaia / @ArqPalestrina)

Por um acaso você, palmeirense, viu o jogo do time principal de futsal do Palmeiras no Sportv, ontem, contra o Orlândia? Pois é. Palmeiras em quadra, em uma terça-feira à noite, ao vivo no canal de esportes de maior audiência do país.

Eu pergunto a você, palmeirense, que é um simples torcedor de arquibancada: sabendo que o futsal precisa se capitalizar e arrumar patrocínio para se manter, não seria essa uma oportunidade de ouro para expormos nossa camisa para o Brasil, limpa, linda, para que os possíveis interessados em expôr a sua marca no nosso futsal se sentissem atraídos em fazê-lo?

Claro que sim, é a provável resposta.

Por isso, há mais de duas semanas, alguns torcedores foram conversar com dois diretores do Palmeiras responsáveis pela modalidade. Falamos com Dinho, diretor de esportes olímpicos, e Enrique, diretor do futsal. Ambos foram absolutamente solícitos e nos garantiram que se empenhariam em conseguir um mísero jogo de 15 camisas de jogador e duas de goleiro sem o patrocínio da KIA.

E que fique claro que fomos testemunhas de que esses dois diretores correram atrás das camisas. Durante essas duas semanas. Não entrar com KIA no peito era uma questão de mostrar que nosso departamento de marketing é profissional e iria expôr a nossa marca da melhor maneira possível ao vivo para todo o Brasil.

Pois ontem, ao chegar em casa depois do 6º Ato contra o aumento das passagens em São Paulo, vejo uma verdadeira aberração.

Juro para vocês que não escrevi nada ontem, para não ter que apelar. Por que juro, minha vontade hoje era ter a força da torcida para tomar o Palmeiras para nós.

Você que apóia o Paulo Nobre e a gestão profissional propagada por ele, não teve vergonha de ver isso aqui ontem?

Reparem nas fitas cobrindo o patrocínio anterior: nem na várzea!

Reparem nas fitas cobrindo o patrocínio anterior: nem na várzea!

Não ficou indignado de ver seu time jogando no Sportv com o Kia coberto com fita cinza? Não sentiu vergonha de ver o uniforme do nosso goleiro ser da Samsung, com uma fita azul escura cobrindo? Não teve vergonha de ver nossa camisa tratada como merda, com patrocínio coberto com fita, como se não houvesse dinheiro para um novo jogo de camisas? Eu estou envergonhado de quem aceita que o Palmeiras entre em quadra para o Brasil todo dessa maneira. Com fita cobrindo patrocínio? Sendo patrocinado por uma das maiores multinacionais de materiais esportivos do mundo?

Nunca terei vergonha de ser palmeirense, mas estou com vergonha de ter que explicar aos meus amigos, muitos deles pesquisadores de esporte em várias universidades do país, como um time como o Palmeiras aparece ao vivo para o Brasil com as camisas com o patrocínio coberto com “silver-tape”.

Desculpa aí. Isso é coisa de time de várzea. Isso é coisa de time muito pequeno. Com todo respeito aos times de várzea e pequenos. Aliás, respeito que cada dia eu perco mais pelo atual presidente.

Imagem, pessoal. Imagem. É a nossa imagem, cacete! Nossa imagem foi jogada no lixo ontem. Na lata do lixo. Passamos vergonha ontem, ao vivo, para todo o Brasil.

Já posso até imaginar as desculpas que alguns vão dar. A primeira delas vai ser: muitos jogadores serão dispensados e se fizéssemos o jogo de camisa nova para essa partida, perderíamos muitas camisas, pois as mesmas só seriam usadas ontem, caso o time fosse eliminado.

Caso me venham com essa desculpa, esquecem que eu (e a maior parte da torcida do Palmeiras) tenho cérebro e sou capaz de pensar. Vamos refletir sobre  isso?

1. perder jogo de camisas: qual o medo de perder camisas, se somos patrocinados por um das maiores empresas de material esportivo do mundo que não paga uma merda de um centavo para o futsal? Será que a Adidas, empresa que adoro a linha de roupas, não pode dar um jogo de camisas para o futsal? É demais para a Adidas? É demais para o Paulo Nobre pedir um jogo de camisas para o futsal entrar decentemente em quadra e não igual a um time de várzea?

2. perder jogo de camisa x exposição da marca: pensemos no cúmulo do absurdo, com a Adidas se recusando a dar um jogo de camisas para o Palmeiras. Para mim, se isso rolasse, já era motivo mais que suficiente para começar a procurar outra fornecedora, mas tudo bem. Imaginemos que a Adidas não deu. E imaginemos que o Palmeiras então comprasse as camisas. Vamos fazer umas contas bem toscas. Nada de gráficos e muitos números que confundem o torcedor. Os números podem não ser uma correspondência exata, mas vão lhe dar uma boa ideia do tamanho da cagada que foi feita ontem:

VALOR DAS CAMISAS

– 15 camisas a 200 paus: 3 mil reais;

-2 camisas de goleiros a 230 paus: 460 reais;

– 17 nomes e números nas camisas, 20 reais cada: 340 reais;

-Total: R$3.800 reais.

EXPOSIÇÃO DA MARCA

– preço de um comercial de 30 segundos no horário em que o jogo foi transmitido no Sportv: R14.800,00 (nacional);

– tempo que o Palmeiras ficou em quadra mostrando a camisa: 45 minutos;

– cada minuto= R$29,600,00 / 45 minutos = R$1.332.000,00.

Olha que legal! Para fazermos uma economia de menos de 4 mil reais, deixamos de expôr a nossa marca em um período que o canal de televisão cobraria mais de um milhão e trezentos mil reais para expôr uma marca qualquer, no intervalo, e não como atração principal. Realmente, foi uma sacada muito inteligente. Tá faltando 3.800 reais? Olha, chama uma reunião com os conselheiros e sócios e explica a situação. Faz uma vaquinha. Faz uma rifa. Eu ajudo.

3. Imagem negativa: pior é expôr a marca negativamente. Mostrar que não há gestão profissional no futsal, esporte que está ao vivo para todo o Brasil em horário nobre. Não, não há gestão profissional no futsal. Não por que a diretoria do futsal, que é amadora, não queira, pois eles lutaram para ter um mísero jogo de camisas sem patrocínio. E aí nossa imagem é jogada no lixo. Ficamos com uma imagem negativa no mercado. Isso é incomensurável.

4. camisas dadas: engraçado que não há camisas para os jogadores, mas sobra camisas para serem dadas de presente. Paulo Nobre mesmo deu camisas do Palmeiras a jogadores da seleção. Para ele, aquilo era uma jogada de marketing. Tá certo, presidente. É mesmo uma jogada de marketing. Muito bem bolada por sinal. No entanto, se você consegue dar camisas de presente a jogadores que vão posar com elas uma vez na vida, para uma foto em um jornal, acho que os nossos jogadores de futsal, que ficaram ao vivo por 45 minutos para todo o Brasil, mereciam uma camisa também. Nem que fosse para acabar o jogo e dizer “leva para casa, é sua”.

5. não fazer as camisas é não acreditar nos jogadores: a partir do momento que você leva 4 a 1 em casa e precisa vencer o melhor time do Brasil, talvez do mundo, fora de casa, no tempo normal e na prorrogação, o mínimo que você deve fazer, para ao menos não passar vergonha na TV, é dar confiança aos jogadores. Que tipo de confiança você passa aos jogadores dando a eles camisas remendadas, deixando os mesmos notarem o (des)cuidado que estão tendo com a equipe? O que será que os jogadores pensaram quando receberam as camisas remendadas? Será que pensaram que todos confiavam neles? Ou pensaram que se não fazem camisas para eles aparecerem na TV e na decisão, é por que não acreditam mais neles?

A decisão, qualquer que seja o motivo, não é equivocada. É estúpida. É anormal. Não é o que se espera de quem é palmeirense. Isso nos traz revolta, principalmente com a a tal da PressFC, gerida por um gambá escroto, fanático pelo time da Marginal S/N e que hoje cuida da nossa imagem. “O melhor do mercado” dirão alguns. Que vontade é de rechear esse texto de palavrões e mandar todo mundo à merda.

Se o melhor do mercado nos expõem dessa maneira, eu quero distância dele. Eu vejo pessoas lutando lá dentro do Palmeiras. Pessoas que não recebem nada cobrando por medidas de profissionalismo. Ou pessoas que recebem pouco não terem condições ideais de trabalho.

E para piorar nossa imagem, nosso presidente diz a todo o momento que não há dinheiro. Para piorar a relação com o torcedor vem a público dizer que vai aumentar o preço dos ingressos para forçar o torcedor a se tornar sócio.

Não lhe falta só alguém que gerencie melhor a imagem do clube. Falta, principalmente, sensibilidade para saber que ninguém, principalmente no atual contexto político do país, quer fazer algo forçado.

Fiquei muito triste com o que vi ontem. Uma das demostrações mais categóricas de quem está à frente do Palmeiras não teve a sensibilidade de não nos expôr de maneira tão grotesca para todo o Brasil. Espero que estejam felizes com a economia de 3.800 reais.

A cagada tem pai. E o pai tem nome. Paulo Nobre.

Veja os gols da partida e sinta o drama das camisas horrorosas que nós expusemos para todo o Brasil:

http://globotv.globo.com/sportv/futsal-sportv/t/veja-tambem/v/os-gols-de-orlandia-5-x-2-palmeiras-pela-liga-paulista-de-futsal/2642172/

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Quanto ao jogo, já sabíamos que a missão era difícil. Não vou aqui expôr o que penso de alguns jogadores que nos defenderam nesta temporada. Frequento o ginásio e o que tiver que dizer para eles, digo na cara.

Mas fica aqui o registro de alguns caras que se mataram por nós, durante toda a temporada. Jogadores que merecem que a torcida lute pela manutenção do futsal se for preciso, assim como foi feito com o basquete.

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Quer desqualificar a crítica? Dizer que é política? É política mesmo. É democrática. E vou continuar criticando quem nos fizer passar vergonha em qualquer das instâncias. Queria ver se fosse o B1 que tivesse permitido uma merda dessas.

Meu compromisso é com o Palmeiras. E o que fizeram ontem  com o Palmeiras foi uma vergonha.

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6 comentários em “Fita cobrindo patrocínio antigo ao vivo para o Brasil: gestão profissional?

  1. Léo
    junho 19, 2013

    A única coisa que eu consegui pensar na hora que vi aquilo foi, “Que porra é essa!”. Realmente é inaceitável e se fosse até o sub 8 eu não gostaria de ver aquilo, afinal é o nome da entidade que está em jogo.

  2. Fernando Galuppo
    junho 19, 2013

    Concordo em genero, número e grau!

  3. Bruno Ricardo SEP
    junho 19, 2013

    Concordo plenamente. Meu, foi patético. E sobre o Presidente querer impor que se seja sócio, ele parece nem saber o descaso da equipe. Sou sócio desde o Onda Verde. E no Avanti, sou do Sou Palmeiras. E minha noiva resolveu se associar, sabendo que vou “seguir o meu Palmeiras por toda a vida…”. Fez o cadastro no início de maio. Duas mensalidades pagas e nada da carteirinha chegar. O Nobre só olha o lado do dinheiro entrando. Deprimente. Fique com deus, João.

  4. Kleber M
    junho 20, 2013

    Muito triste… vamos fazer uma vaquinha pra dar um jogo de uniformes para esse pobre time?

  5. Léo Souza
    junho 20, 2013

    João,

    Eu sempre sou o primeiro a ponderar as críticas, tentar achar o porque das coisas e tal. Mas depois dessa não tem o que falar. Foi ridículo mesmo. Sem vergonha! Tapa na cara do Palmeiras.

    Mas sobre suas críticas ao PN, acho que aí vale uma ponderação. Ele está aplicando o modelo de gestão gringo, onde futebol=negócio. É o que toda a mídia está pedindo, é o que os especialistas dizem ser “o futuro do futebol”. E é também totalmente o contrário do que estamos acostumados aqui no Brasil, onde a cultura sempre foi de fazer o que for preciso pra conquistar o resultado dentro de campo, sem se importar com o futuro (vide Palmeiras na década de 90, gambás em 2005 e Flu atualmente, que sabemos que mais cedo ou mais tarde vai se fuder por conta da “parceria”). Assim, ele prioriza as receitas e fode o povão.

    Eu acho que esse modelo gringo não cabe no Brasil. Sou graduado em comunicação social e curso pós graduação justamente em marketing esportivo. Tento levar essa discussão pra sala toda aula, chego até a ser meio repetitivo. Mas não adianta, pra quem não é torcedor fanático como nós, o exemplo a ser seguido é a NBA e a Copa do Mundo. Acham que o futebol brasileiro só vai progredir quando não vender mais churrasco de gato na porta do estádio e o torcedor respeitar o lugar marcado no ingresso pra assistir o jogo sentado.

    Gostaria de saber a sua opinião, como historiador, sobre isso. Vc acha que temos que caminhar junto com o resto do mundo para acompanhar a evolução ou podemos resistir com o “ódio eterno ao futebol moderno”?

    Abs.

    • arquibancadapalestrina
      junho 20, 2013

      Léo, quanto à questão da gestão profissional, modelo europeu, norte-americano, ou qualquer outra coisa, tudo cai por terra quando o mandatário de um clube envia um time com aquele arremedo de camisa ao vivo para todo o Brasil.

      Não adianta nada propalar uma gestão profissional e, em pequenas coisas, agir pior que um amador. Não adianta sanar contas e ter um prejuízo na imagem deste tamanho. Para economizar 3.800 reais, passamos ridículo ao vivo para o Brasil.

      Quanto ao modelo de gestão a ser seguido, acho perfeitamente possível o Brasil ter um modelo de gestão que se adeque às características, principalmente culturais, do torcedor brasileiro.

      Importar modelos europeus e norte-americanos é furada, pois esses modelos funcionam na realidade de cada país, de cada região. E a nossa é bem diferente da dos EUA e dos países europeus.

      Ideias não faltam. O que falta é conseguir alguém que queira ouvi-las. Alguém com poder para ouvir. Pois os que estão no poder tem uma arrogância absurda de reconhecer erros, ou ao menos evitá-los.

      Os torcedores cobraram da diretoria duas semanas antes. Nós, inclusive os diretores, que temos outras 200 coisas para fazer na vida temos que nos preocupar com algo que é atribuição definida a um profissional de marketing. E os profissionais não ouvem, nem a torcida e nem os diretores, para não nos deixar passar vergonha na TV.

      Depois dessa vergonha, nem sei mais o que esperar. Gestão profissional não é só sanar contas. Um jogo de camisas, 3.800 reais, para não passar vergonha ao vivo na televisão é o mínimo que se espera de uma gestão palmeirense. De uma gestão profissional, dá para exigir muito mais coisas.

      Só queria que agissem como palmeirenses. Não nos fazer passar essa vergonha já está bom.

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Publicado em junho 19, 2013 por em Uncategorized.

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