Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

Sete motivos para refletir

Por João Malaia (@jmalaia/ @ArqPalestrina)

Entre erros e acertos, sete questões dos primeiros seis meses da gestão de Paulo Nobre me chamaram à atenção.

Não sei se um dia nosso presidente sequer vai ler o que está aqui escrito, mas escrevo na esperança de que, quem sabe, ele perca alguns minutos com este texto que me levou algumas horas a fazer. Pelo fato de ter uma crença quase cega que Paulo Nobre está empenhado 100% em trabalhar para ser um grande presidente e, mais que isso, trazer o Palmeiras de volta para seu caminho.

Nunca tive tanta esperança em um presidente do Palmeiras. Nunca um cara que se mostrava um torcedor tão fanático esteve no comando do nosso clube. Mas talvez possam perguntar: se você pensa assim, porque critica vários aspectos da gestão de Paulo Nobre? A resposta é simples: para mim, a crítica é o motor, é a base de avanço em qualquer setor. Acho que menos no casamento, namoro, esses papos.

No meu ramo de trabalho, a crítica é absolutamente tudo. Para cada elogio, recebo 200 críticas, muitas, mas muitas mesmo longe do que se convencionou chamar de “crítica construtiva”, conceito que não entendo bem. Para mim, toda a crítica, desde que seja uma crítica mesmo (excluem-se ofensas), é construtiva. Talvez por isso eu faça tantas críticas. Mas todas são feitas no intuito de alertar algo que acredito que esteja fora do caminho, que esteja sendo ruim para o Palmeiras.

Por isso, trago aqui hoje sete questões para que nosso presidente Paulo Nobre possa refletir. Na verdade, o intuito é tentar trazer à tona algumas questões desses seis primeiros meses de gestão, um quarto do total do mandato. As coisas avançaram? Sim, sem dúvida. O número de sócio-torcedores subiu muito. Esse é um ponto positivo de relevância. A manutenção do time de basquete foi outro ponto positivo. Algumas contratações agora no meio do ano que podem vingar. O fim dos burburinhos sobre negociações e diz que me diz entre diretoria e imprensa. Salários em dia dos profissionais.

No entanto, existem algumas coisas que devem ser pensadas. Aspectos negativos que marcaram este primeiro quarto de mandato e que merecem passar por uma reflexão. Porque ocorreram, presidente Paulo Nobre? Quem foram os responsáveis? Porque foram tomadas essas atitudes, muitas vezes batendo de frente com interesses dos torcedores? Será que todos estão fazendo um trabalho legal? A quem devemos atribuir essas cagadas?

Não quero vir aqui ser o cara que vai falar de tudo. Tem muita coisa que não cito aqui. Mas tem muita gente querendo ajudar, Presidente. E não temos outro canal a não ser a crítica. Crítica que por sua vez é vorazmente rebatida por aqueles que defendem sua gestão. Não entre nessa de achar que somos inimigos, Paulo Nobre. Somos todos palmeirenses. Demais, até. Ninguém aqui torce contra, muito pelo contrário, torcemos demais para que sua gestão dê certo, por que assim o Palmeiras vai dar certo.

E porque essas coisas insistem em acontecer? O que podemos fazer? Não podemos dar ideias? Não podemos expor um pouco o que acontece para pensarmos sobre nosso clube? Quem são os responsáveis pelas questões aqui mencionadas? Importante: elas são percebidas como equívocos? Vamos refletir juntos sobre essas sete questões que levantei aqui?

1. Preço dos ingressos e plano Avanti

Time na série B. Jogos fora de casa. Primeiro em Itu. Ingresso sobe para 60 reais. CEO diz que é para aumentar número de Avantis. Incapacidade de perceber que ninguém consome nada sendo forçado. Falta criatividade para atrair mais sócios. Depois de explodir o número de ST’s por conta da Libertadores, foram incapazes de pensar em um plano de sustentação na série B. Ao invés disso, aumentaram absurdamente o valor dos ingressos.

A torcida chiou. O ingresso caiu para 40 reais. Preço elevado para trazer a massa de volta e apoiar o time rumo à série A. Mais uma vez a defesa foi: associe-se e pague meia. Ou seja, continuaram forçando a barra. A torcida não compareceu.

Agora, em Prudente, a incompetência atinge o seu auge. Cobra-se 80 reais em um ingresso de arquibancada em uma cidade que não tem adesão de ST. Não vale nem a pena se associar só para esse jogo, pois pagará 20 da mensalidade, mais 20 da carteirinha, mais 40 do ingresso com desconto. E quem tem desconto, maioria da capital, vai ter que andar quase 600 km para chegar no estádio.

Mais: em declaração para uma rádio, o CEO justificou o aumento dizendo “O Palmeiras tem muito sócio-torcedor, por isso precisamos elevar o preço”. O discurso fica absurdo, deixando a entender que o sócio-torcedor está sendo penalizado com o aumento. A conclusão é simples: se o Palmeiras tiver pouco sócio-torcedor o preço dos ingressos volta a cair.

2. Mandos de jogo durante a punição

Ao invés de Prudente e Itu, porque não um tour do Palmeiras? Porque não jogos em outras praças? Sobre o tema, leiam o post do Barneschi “Compromisso com o erro“. Não preciso me alongar muito neste tema. Rodrigo já o fez de maneira irretocável.

3. Inchaço do elenco de futebol profissional

Como é que chegamos ao descalabro de ter 45 jogadores no elenco principal? Como é que faz o coletivo? Dois campos, 4 times? Uma folha salarial inchada, comprometida e tudo que se argumenta é que os jogadores tem contratos longos feitos pela diretoria anterior e que os salários dos atletas são altos e por isso os clubes não querem o atleta por empréstimo pois não querem pagar o que o cara ganha.

E por que não dispensamos e pagamos uma parte do salário? Não minimizaria o erro da gestão anterior? Não dá melhores condições para o treinador? Melhor ficar com mais de 40 jogadores?

4. Falta de ações de marketing criativas

Não dá para falar de algo que praticamente não existe. Dar desconto para sócio-torcedor em rede de loja não é criatividade. O que mais o ST tem além de desconto em ingresso? A desculpa é sempre igual: há muito trabalho, o marketing não dá conta, etc. Sejam criativos. Houve viagens para Itu, participação de Marcos, mas falta criatividade.

Eu escrevi um post uma vez sobre falta de ações com as crianças palmeirenses. Dei sugestões, etc. Coincidentemente, no dia seguinte, estava um banner gigante de como as crianças deveriam fazer para entrar com os jogadores em campo, uma das sugestões que havia colocado no dia anterior. Apesar de feliz por ter colaborado, me indaguei por que nenhum responsável pelo marketing profissional pensou nessa simples ação. Aliás, cadê essas informações? Já sumiram da primeira página do site de novo? Em semana de jogo?

Falta criatividade para aproveitar os outros esportes do clube para agregar valor à identidade do torcedor com o Palmeiras. Falta mais trabalho em outras praças. Faltam ações com outras modalidades. Faltam soluções criativas para se conseguir verba para as outras modalidades. Faltam ações criativas para atrair o torcedor de outros estados e outras cidades para São Paulo. E em alguns casos, falta uma melhor divulgação do que vem sendo feito e implantado.

5.Contratação de um assessor de imprensa gambá fanático

Pra que? Tem necessidade? Aí a primeira coisa que os caras fazem é demitir o Finelli e o Galuppo? Pra que? Até os chapa-branca mais ferrenhos se opuseram a essa medida. Aliás, acho que foi a única medida de Nobre até agora que recebeu uma crítica mais contundente de boa parte da tropa de choque que se dispõem a defende-lo acima de qualquer coisa. Essa e a venda de Barcos.

6. Descuido com a imagem do clube

Porque tanto tempo com KIA na camisa, em todas as modalidades, em camisas de treino, em banners no CT, nos banners de coletiva de imprensa, mesmo bastante tempo após o término do contrato? Tá com estoque de camisas sobrando? Desenvolve ações para vender as camisas a preço de custo. E compra a preço de custo da fornecedora o novo material sem o antigo patrocinador.

Fora o silvertape na camisa do time de futsal na Sportv. Esse é melhor nem comentar mais.

E ainda ficam toda hora aparecendo na televisão para chorar que não tem dinheiro, que a dívida é muito grande, que a direção anterior deixou o clube na lástima. Não podemos ter essa postura. Tem que passar a a ter outro discurso, parar de lamentações. “Vamos acabar o basquete…não temos patrocínio…vamos acabar o futsal… não temos patrocínio…. a dívida é grande… a gestão anterior foi ruim… ” Parem já com esse papo. Daqui a pouco estão dizendo que nós temos o Cuca dos presidentes de clube. Só chora.

7. Péssimo gerenciamento dos esportes amadores

Precisa falar mais da cagada que foi com o basquete, que no final deu certo, e que está se repetindo com o futsal? Ao invés de lutarem para que a modalidade não acabe, aparecem para dizer que a modalidade pode “hibernar”, novo conceito utilizado para dizer que as modalidades serão encerradas dentro do discurso de gestão profissional do esporte.

Mostram pouca vontade de dialogar com os diferentes grupos que querem lutar pelas modalidades. Denigrem a imagem do clube acabando com as modalidades, ou mesmo ventilando o possível fim. Não aproveitam a oportunidade para unir diferentes setores que são apaixonados pelo clube. Mentem para os jogadores afirmando que a modalidade vai continuar e depois anunciam o provável fim. Deixam pais de família sem saber ao certo o futuro e sem muita chance de emprego

Os executivos profissionais do clube, pessoas que são pagas, e muito bem pagas para isso, transferem a responsabilidade da captação de recursos e patrocínios para os diretores amadores das modalidades. Como se não fosse trabalho deles.

Paulo Gregoraci, diretor estatutário de marketing do clube não é profissional também. Mas ele assumiu um compromisso com a diretoria de marketing do clube. O diretor de futsal, basquete, boxe, judô tem compromisso com a modalidade como um todo. Deve organizar as diversas categorias, deve gerenciar a contratação de profissionais como técnicos, preparadores, fisioterapeutas, coordenadores e atletas, deve estar presente nas competições, deve gerir problemas internos dos departamentos. Além disso, agora deve ser responsável por conseguir patrocínio? Não seria essa uma atribuição da diretoria de marketing? Aliás, a diretoria de marketing que conta com um Chief Marketing Officer (CMO).

Marcelo Giannubilo é nosso CMO, como foi nomeado por Brunoro. Quando assumiu, deu a seguinte declaração ao Lance!: “Vamos nos espelhar nas melhores práticas internacionais, como as de Barcelona, Real Madrid e Borussia Dortmund, este último na parte específica do sócio-torcedor.” Se nossas ações de marketing estão pautadas nos modelos de Barcelona e Real Madrid, quero ver aonde eles viram uma modalidade olímpica desses clubes entrar em quadra com TV, ao vivo para todo o país, usando uniformes com o patrocínio coberto com fita adesiva.

O Linkedin de Gianubillo não o apresenta como CMO do Palmeiras, o que demonstra um pouco de falta de cuidado com seu próprio marketing. Ou não quer ser reconhecido como CMO do Palmeiras? Na agência Figer 360, da qual é diretor, há uma seção de cases. Apesar da agência se apresentar como sendo de marketing esportivo, só há quatro cases apresentados como tais. Tem muito mais case de comunicação e de eventos do que de esportes. Giannubilo atuou na parceria Unimed/Fluminense, bastante contestada não pelos resultados dentro de campo, mas pela maneira como a parceria é conduzida e pelo abuso de poder da empresa dentro do clube, redirecionando ou mesmo invertendo prioridades do clube.

Outro ponto: o cargo deles está só relacionado ao futebol? Ou eles são o diretor de marketing e o CMO da Sociedade Esportiva Palmeiras? Quais foram as ações de marketing desenvolvidas para o basquete e para o futsal para que as modalidades não fossem “hibernadas”? O barulho da torcida atrapalhou ou ajudou na obtenção de um patrocínio com a Meltex? E o que foi feito pelo futsal para que o mesmo chegasse ao mesmo estado que o basquete, em situação desesperadora? O que se apresentou de ações criativas para essa modalidade se fortalecer e não perecer nesses últimos meses? Se algo foi feito pelo Marketing, por que não apareceu? Qual é o balanço desses primeiros seis meses? A gestão profissional que estão vendendo para o Palmeiras, e muito caro por sinal, é mesmo uma gestão profissional de esporte? Está apresentando resultados que podem ser considerados bons dentro de um modelo de gestão profissional de esportes? Você já parou para pensar nisso, presidente?

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10 comentários em “Sete motivos para refletir

  1. Vanessa Amaral
    julho 5, 2013

    Vai Tomar No Cú joca… vc deu uma aula agora… MTO BOM!!!!!

  2. Sergio Mendonca
    julho 5, 2013

    No começo deste ano cada clube teve de comprar sua vaga na Liga Paulista de Futsal, o valor foi de R$ 50.000,00. O Palmeiras “embernando” seu time provavelmente este dinheiro não será restituído e consequentemente outro prejuízo para os cofres do clube
    Alguém será responsabilizado por mais este dinheiro jogado fora?

  3. Srefano
    julho 6, 2013

    Muito bom… Tomara metade da torcida tivesse capacidade e espírito crítico para entender esse artigo.

  4. Stefano Tevo Filho
    julho 6, 2013

    Como podem alegar q os contratos longos são responsa das diretorias anteriores, e ,ao mesmo tempo, assinam c o incerto Felipe Menezes por 3 anos ?

  5. Stefano Tevo Filho
    julho 6, 2013

    Todos os questionamentos de J Malaia são absoluta// pertinentes. Novo presidente, novas esperanças e, no entanto, os mesmos fracassos. O Palmeiras, além de ñ revelar jogadores, contrata montes de jogadores inócuos. Seria interessante q houvesse, tb, transparência nos salários pagos aos novos diretores e outros profissionais contratados.

  6. Claudio Longo
    julho 6, 2013

    Boa noite João, parabéns pelo texto, sendo que na maioria dos que hoje mantem blindado o presidente de “nobres´´ intenções, estão muitos que flutuavam nas administrações sinistras , manipuladas por MUMU, o maldito, lembrando que a politica do clube é uma concha de retalhos, sem definição concreta dos indícios de bom senso e colaboração efetivamente estruturada em honestidade, mas há o porem de sabermos o quanto devemos, mas não financeiramente, mas moralmente já que ser oposição no Palmeiras , torna-se um“ ser´´ rotulado, perante a bandeira que esta no mastro, que muitas vezes sujo pelos muitos, que com mãos sujas manipulam interesses, vislumbram oportunidades de se ancorar , em um cais que mantem a Sociedade que é Esportiva , em puro marasmo ideológico e sem termos postura e atitudes, mas com você estamos vendo com clareza os aspectos mais degradantes , do espirito politico alviverde, não importando de que lado estejamos!

  7. Felipe
    julho 8, 2013

    Mais temos que levar muito em consideraçao que a atual diretoria pegou o clube quebrado na UTI após a ridicula adiministraçao do arnaldo tirone.Rebaixado,sem dinheiro,varias dividas.elenco com vários jogadores ridículos,imagem totalmente manchada.É uma reconstrução,6 meses apenas é muito pouco para dizer se realmente é certo alguns pontos que você citou levando em consideração que ele tem por obrigação ter total atenção e gastos no principal carro chefe do clube no momento,o futebol.E nisso convenhamos ele mudou a perspectiva,ja temos um time melhor para brigar até pela copa do brasil,talvez consiguindo melhores resultados ele tenha mais atenção e dinheiro para outros detalhes no clube,como melhores ações no marketing,nos esportes amadores e exugue folha salarial.Mais eu acho compreensível corte de gastos e foco em outras prioridades do clube.Momento extremamente difícil na historia do clube,tirando a nossa linda arena.

    • arquibancadapalestrina
      julho 9, 2013

      Concordo com você em alguns pontos. O problema é que dos sete pontos que levantei, apenas um refere-se integralmente aos esportes amadores. Outros dois referem-se aos esportes amadores e ao futebol também e 4 pontos são exclusivamente do futebol.
      Quando assumiram o clube sabiam a draga que iriam se meter, não é?
      Mas os pontos aqui são para refletir, não para crucificar. O que quero saber é: será que os que estão sendo pagos para fazer uma gestão profissional estão fazendo uma gestão profissional?

  8. Fernando Galuppo
    julho 11, 2013

    Uma aula de lucidez e reflexão… É no minímo para pensar e muito tudo o que você expôs.. Abração

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Publicado em julho 5, 2013 por em Quando a bola não rola.

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@ArqPalestrina

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