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Alex e Eguren: rompendo com o status quo do futebol e da política

Por Felipe Bianchi (@BianchiPalestra)

Raros são os tipos que, no meio futebolístico profissional, assumem uma posição crítica em relação às máfias e aos pilantras em geral que comandam o esporte. Alex, brilhante camisa 10 e que sempre demonstrou ter grande caráter, é um deles. Em entrevista ao diário Lance!, o craque disparou contra a ditadura da Rede Gloebbels e o papel ridículo desempenhado pela CBF, saindo em defesa não apenas de sua classe, mas também – vejam só – dos legítimos donos do futebol: os torcedores.

Alex: Tratamento dado ao torcedor é 'desumano'

Alex: Tratamento dado ao torcedor é ‘desumano’

Para ele, a entidade máxima à frente do futebol brasileiro não passa de uma “sala de reunião” e quem dá as cartas, de fato, é a famiglia Marinho, que comanda a infame e monopolista empresa de comunicação famosa por sua conduta golpista e por dar calotes milionários na Receita Federal. “Acho que a CBF não tem uma interferência dentro do futebol tão grande”, disse, complementando: “Quem realmente cuida do futebol brasileiro é a Globo. A gente sabe que a Globo trabalha na dependência da novela. A gente brinca aqui no Coritiba que os jogos de quarta-feira só rolam depois do último beijo da novela”.

O craque, que ilusionou todos os palestrinos com a possibilidade de voltar a vestir o manto no ano do centenário, foi além: “Pô, a gente joga bola dez horas da noite (…). Preciso ficar no hotel o dia inteiro esperando um jogo às dez horas da noite. Isso é ruim”. Se Alex, camisa 10, mostra coragem para argumentar em defesa de sua classe profissional, ele transcende todas as expectativas em relação aos jogadores brasileiros quando opina sobre a situação do torcedor.

– O jogador fica dentro de um hotel, confortável, tranquilão, para jogar 90 minutos, tomar banho e ir embora pra casa. E o torcedor? O cara sai de casa ou do trabalho, precisa ir para o estádio às dez horas da noite, assistir ao jogo, voltar para casa, e ainda precisa acordar sete horas da manhã (Nota: Alex pegou leve no horário) no outro dia. Isso é desumano. Por isso que os estádios estão vazios.

Alex ainda criticou a Lei Pelé – “Não sei se a culpa é do Pelé, mas a lei leva o nome dele. Quando você oferece o nome, você também oferece responsabilidade” -, afirmando que a molecada recebe um tratamento de estrela, totalmente empresarial, desde os 16 anos. Ainda assim, sublinha, são aprovados ou dispensados apenas pela estatura. “A nossa escola na parte técnica está perdida, mas ainda dá tempo de recuperar”, avalia.

Eguren mal vestiu a camisa, mas já saiu em defesa do Verde.

Eguren mal vestiu a camisa, mas já saiu em defesa do Verde.

Na contramão da corrente conformista, comodista e despolitizada que assola o futebol há algum tempo, a entrevista de Alex remete, em partes, à postura do volante uruguaio Sebastián Eguren. Poucos dias atrás, nosso camisa 5 declarou abertamente ser a favor do debate e de medidas relacionadas à legalização da maconha e do aborto, pautas já levadas a cabo em seu país, que tem goleado o Brasil neste aspecto. Mais que isso, Eguren também respaldou o governo de José ‘Pepe’ Mujica, o incomum presidente da Banda Oriental, responsável por implementar uma série de avanços progressistas no país.

Se ambos os jogadores são pontos fora da curva no cenário brasileiro atual, também podemos dizer que constituem um sopro de esperança para os que agonizam com a morte iminente do caráter popular e da faceta sociocultural que fundamenta o futebol.

Ao afrontar o império midiático da Rede Globo, Alex mostra que não se preocupa apenas com seus vencimentos estarem em dia ou com a cor de sua nova chuteira. Eguren, ao declarar apoio às políticas progressistas uruguaias e tomar partido em temas polêmicos, também confronta os interesses de uma imprensa que atua como partido conservador.

Ao enfrentarem o status quo e romperem a zona de conforto de um futebol cada vez mais reduzido à condição de negócio, brutalmente cooptado pelo interesse de grandes conglomerados financeiros e midiáticos, Alex e Eguren contribuem, com suas incandescentes fagulhas, para a combustão de um debate urgente e necessário acerca dos rumos do esporte nas sociedades contemporâneas.

Que neles se inspirem os demais profissionais ligados ao futebol e, inclusive, a parcela de torcedores que ainda não assimilou os tempos de chuva que se avizinham. Ou que apenas se nega a solidarizar-se com as classes antagônicas que compartilham, com ela, a paixão pelo futebol. Classes que, por sinal, são maioria esmagadora em todo o território nacional.

No Uruguai, cidadãos utilizam muro como mídia para burlar conservadorismo dos grandes meios.

No Uruguai, cidadãos utilizam muro como mídia para burlar conservadorismo dos grandes meios.

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4 comentários em “Alex e Eguren: rompendo com o status quo do futebol e da política

  1. Vitor Gomes
    agosto 9, 2013

    Boa. É importante dar destaque pra postura desses dois. Com a devida repercussão, é possível criar a coragem necessária em outros jogadores que tenham opiniões e algo a falar. Já que o interesse do torcedor é sempre excluído, talvez alguma coisa possa mudar com jogadores se posicionando também.

    Legal ver seus textos aqui, Felipe. Estava no Paraguai esse ano junto com o Marcelo e o João. Já acompanhei um pouco do seu trampo lá no ComunicaSul também, sempre mandando bem!

    Abraço!

    • arquibancadapalestrina
      agosto 9, 2013

      Valeu, Vitor. Lembro de você do Paraguai, hehehe. O esquema é estimular o debate mesmo, cara. Valeu pelo comentário! Abraços.

      @BianchiPalestra

  2. Bruno Bernardo
    agosto 9, 2013

    Estamos criando jovens acéfalos. Isso é fato. Esses jovens deixam de ter o principal na vida de qualquer pessoa, a educação, para somente jogar bola. Pouquíssimos conseguem se dar bem, agora imagine quantos garotos são rejeitados durante o processo de profissionalização.

  3. Claudio Longo
    agosto 10, 2013

    Grande João Malaia, temos um problema grave no Palmeiras, alguém que tenha coragem de matar a incompetência crônica politica, pois não há uma só pessoa que procure o poder e tenha capacidade , para por a casa em ordem, o tal piloto da formula MUMU, hoje se apoia, em status quo, de uma crônica viciada em entorpecentes, que assolam o Palmeiras desde 1977, com o principal traficante estando rico e contente, pois MUMU, não só pre fabrica merdas politicas, mais também os trafica pelas alamedas do Palestra Itália, , é só ver quem são os “escolhidos´´, para ocuparem alguns cargos na diretoria, que só faz merda, e além disso critica e tenta censurar a quem expõe os ridículos caminhos que o clube assume sem saber se terá retorno, desta forma estou aguardando ate onde vai o tal profissionalismo, que entorpeceu o conselho deliberativo em 21/01/2013!

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