Arquibancada Palestrina

Um blog de Palmeirense de arquibancada

São José x SEP. Coração dividido? Não. Aqui é Palmeiras.

Por João Malaia (@ArqPalestrina)

Quinta-feira. Acordar cedo, agilizar as paradas do trampo para poder estar liberado às 16h. Era um dia histórico na minha vida.

Explico. Fui criado em São José dos Campos. Aprendi o que era arquibancada e o que era torcer dentro do ginásio do Tênis Clube vendo o timaço do São José ser bi-campeão brasileiro. Vi estrelas como Ubiratan, Carioquinha, Zé Geraldo, Nilo, Marcelo Vido, Pipoca e tantos outros jogadores menos conhecidos.

Currasquinho na porta do ginásio.

Currasquinho na porta do ginásio.

Jogar no tênis era embaçado. Eu, claro, aprendi ali a fazer a minha parte. Só depois fui para o Martins Pereira ver a Águia do Vale (histórico 3 a 1 nos gambás pela semi-final do Paulista de 1989 – chupa gambá) e só depois o Palestra. E quinta-feira era dia de voltar a São José. Não para torcer para o time da cidade, mas para torcer contra. Para torcer para o basquete do Palmeiras.

Momento ainda mais delicado por que depois de 11 anos eu voltarei a morar em São José dos Campos. E estava ali, com um amigo de São José e dois daqui de São Paulo. Ainda bem que não era no ginásio do Tênis. Mesmo assim, algo não estava se encaixando. Mas logo tudo se encaixou.

Chegando ao ginásio, vimos o ônibus do Palmeiras. Fomos comer churrasquinho, os caras da torcida Pânico (que fazem uma puta festa no ginásio, por sinal) vieram bater papo com a gente, tomamos cerveja, tudo tranquilo. E eles perguntavam: “E aí? Tá vindo bastante gente?” Não amigo, não deve vir ninguém.

Entramos no ginásio, que começava a encher e que depois lotou. Tínhamos ali um cantinho reservado, vazio. Apenas o pessoal da comissão, diretoria. Chegamos em seis. Quatro dispostos a se fazerem ouvir no ginásio. Para mim, já não tinha mais São José, não tinha Tênis Clube nem nada. Estava me preparando para a guerra.

Ginásio Lineu de Moura, em São José dos Campos e a torcida Pânico atrás do banco do Palmeiras.

Ginásio Lineu de Moura, em São José dos Campos e a torcida Pânico atrás do banco do Palmeiras.

Por mais que goste de São José e tenha raízes naquele lugar, meu único sentimento de pertencimento e de identidade está ligado ao Palmeiras. Nasci em Angola, quando era uma colônia de Portugal. Saí de lá com 1 ano e vim para o Brasil. Português, nascido em Angola que mora no Brasil. Quando me perguntavam o que eu era, preferia dizer que era palmeirense. Aliás, prefiro.

O jogo foi bom demais. O Palmeiras, com dois desfalques importantíssimos (Tyrone e Tiagão, lesionados), deu um calor no vice-campeão da NBB. Só três jogadores saíram do banco, um deles, Wesley, quase não jogou. Pior. Quem acabou com o jogo foi o jogador Jefferson, torcedor confesso da Sociedade Esportiva Palmeiras. Esse era o tipo de jogador que o Palmeiras tinha que contar.

Confesso que não fiquei triste com a derrota. Perdemos para um gigante do basquete brasileiro, de maneira digna, ao vivo na ESPN Brasil. Terminamos o 1º quarto ganhando de 20 a 10. Fomos buscar o empate no último quarto depois de recuperar dez pontos atrás. No final, não deu.

A torcida dos caras fez a festa em cima da gente. Ginásio inteiro gritando e zuando torcedores e jogadores. E quer saber? Quando a massa gritava “ão, aõ, aõ, segunda divisão” eu fazia questão de olhar pra todos, beijando o escudo do Palmeiras e sorrindo. Mostrando a minha felicidade de ser palmeirense.

sjc

Léo Pinheiro/Divulgação

Fomos ofendidos pra cacete, todos os gambás, bambis, sardinhas, urubus e outros mortais desfiaram a raiva em cima da gente no caldeirão do Lineu de Moura lotado. Pessoas que não vão ao estádio e que não tem a possibilidade real de xingar um palmeirense, tinham ali a oportunidade. E não perderam a chance de soltar toda a ira para cima de nós. Beleza, faz parte do jogo. E quanto mais xingavam, mais nos preparávamos. Ninguém canta o tempo todo, irmão.

Quando eles baixavam a bola, lá estávamos nós. Nos fazendo ouvir. Presentes. Para que nossos jogadores soubessem que não caminham sozinhos. Apareceram 4 caras da TUP de São José dos Campos e o coro engrossou. Tinham mais 4 ou cinco joseenses dispostos a enfrentar o barulho daquele ginásio.

Perdemos. Mas perdemos de cabeça erguida. E saímos do ginásio de cabeça erguida. Cantamos e vibramos. E eles ouviram. Aliás o Brasil ouviu. É isso que reza o nosso hino.

__________________

O Palmeiras perde uma excelente oportunidade de dar maior visibilidade ao clube nos jogos que faz pelo interior de São Paulo. O time de basquete joga pelo interior e ninguém sabe, não há uma ação junto ao torcedores locais do time para atrair torcedores ao ginásio, dando oportunidade de estarem juntos do clube, que seja em outra modalidade, mas exercendo a sua palestrinidade, cantando e vibrando.

Mas eu é que sou o chato, eu e outros palmeirenses é que só vemos pelo em ovo. Os caras vão para cidades que tem milhares de palmeirenses e não tem nada. Nenhuma ação. Só uma nota no site falando que o Palmeiras joga em tal cidade, blá, blá, blá. Sabem de uma coisa? Isso é tudo é um lixo mesmo. Estamos jogados às traças para um departamento de gestão que se diz profissional, mas de profissional só tem o salário.

Tô de saco cheio de ver a inércia desse bando, sempre dando desculpas técnicas e sem promover ações que não custam um centavo. Custam é trabalho, mas parece que trabalho os profissionais não querem.

Porque não fazem contato com torcedores Avanti dessas cidades? Por que não tentam entrar em contato com as Torcidas Organizadas (isso mesmo TORCIDAS ORGANIZADAS) da região para incentivá-los a comparecer? Porque não criar uma campanha pela página oficial, pelo Twitter e Facebook, dizendo que vai haver um sorteio de uma camisa do basquete e depois o sorteado come uma pizza com os jogadores depois do jogo? Se acharem que a camisa é cara, no Adidas Outlet tinha vendendo por 29,90. E a pizza que o time comeu lá em São José, no Pizza 1, custa mais ou menos 15,00 por pessoa. Sorteia ingressos para o futebol, por exemplo.

Mas a base de tido é a divulgação. E nós temos uma cacetada de seguidores no Twitter, fãs no Facebook, uma ferramenta nossa que está lá, à disposição, mas que não é usada. Porra, nós não somos o Audax! Temos ou não temos os tais profissionais de ponta do mercado?

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2 comentários em “São José x SEP. Coração dividido? Não. Aqui é Palmeiras.

  1. Stefano Tevo Filho
    setembro 15, 2013

    Ótimo comentário, ótima visão. Solicito sua participação no meu facebook e no grupo “Amigos Palmeirenses Unido” .ABÇ

  2. Sergio Mendonca
    setembro 15, 2013

    Parabéns pela postagem, você natural de Angola e eu descendente de portugueses somos Palmeiras, desmistificando um mito que para ser palmeirense tem de ter origem no país da “bota”.
    Não espere nada para o basquete ou outro esporte amador da atual diretoria, principalmente do senhor CEO, quanto a PN é pau mandado mesmo.
    Quinta feira dia 19/09 teremos um jogo muito difícil aqui em Mogi das Cruzes, convoque a torcida do Palmeiras para estar presente e incentivar nosso time de basquete

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Publicado em setembro 13, 2013 por em Uncategorized.

(Publicidade Gratuita até 20/05/14) #AvantiBasqueteSEP

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